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E Milão hein?

Pois é, passou a feira do móvel e eu nem comentei nada a respeito. Tem muita gente por aí comentando e fotos não faltam nesta internet de meu Deus…

Mas, para não deixar sem nada quem gosta de meus (loucos) comentários sobre o principal ‘point‘ do design mundial, decidi destacar algumas peças que vi que me despertaram uma ou outra ideia. Afinal de contas, para quem vive na área, Milão já se tornou mais um evento de praxe (e símbolo de status para quem vai), do que realmente um momento de grandes lançamentos.

Do que eu pude ver daqui, via internet – é, sem o charme do carimbo no passaporte  – houve pouca aposta em novas formas. Teve neutro, teve cor, teve transparência, como sempre, de tudo um pouco. Se você vê uma resenha que quer dizer que a cor foi valorizada, encontra montes de fotos que a justifiquem. Se, ao contrário, quer dizer que tendência é a ausência de cor, também vai encontrar dezenas de fotos comprovando a teoria. Enfim, vamos ao que há de novo:

Pra começar bem, um destaque: a cadeira Z de Zaha Hadid para a Sawaya & Moroni: uma marca de designer de primeira da arquiteta, toda feita em aço inox polidíssimo, tem uma forma muito louca: um z transformado. São apenas 24 peças gente, é item de colecionador…

Starck acertou em cheio, fez pouco e certo: “Lou Reed” para a Driade tem bom design e um material nobre: couro. Achei tudo a ver, muito bacana, roqueira mesmo. Prova de que uma só peça pode valorizar o trabalho de um designer numa mostra deste tamanho, e de que não é necessário um monte de peças para marcar presença.

The Invisibles Light“, a linha transparente de Tokujin Yoshioka para a Kartell é bonitinha, interessante. Mas me digam: o que há de novo em fazer um móvel reto e transparente? O material talvez, mais resistente. Achei que faltou inspiração. De quebra o designer projetou uma cadeira muito parecida com várias peças de Ron Arad. Veja as duas juntas: uma mexidinha bastou para ser novidade. Eu, se fosse Ron, ia sorrir baixinho…

A Moon chair de Tokujin Yoshioka para a Moroso é muito parecida com a "MT1" de Ron Arad para a Driade. Clique para ver maior.

Pra ser transparente melhor ser como os conterrâneos japoneses da Nendo que exploraram a forma: mandaram ver na cadeira feita com filme de poliuretano. É até difícil de ver a peca que é parte de uma coleção maior de transparências. Veja abaixo:

Esta cadeira de Karim Rashid para a Bonaldo sim, me deixa com fé no futuro do design! Nosso amigo midiático, quando quer, baixa em sua prancheta de desenho e inventa. E inventa bem: estes braços são um tudo!

Patricia Urquiola é presença garantida em todo canto de Milão nesta época do ano. De tudo que eu vi, destaco esta chaise – também poltrona – que lembra uma trança feita com um tecido de tricô. Desenhada para a Moroso, “Biknit” foi uma das coisas mais bonitas que vi da feira neste ano.

Muitos outros designers já consagrados (ou em vias de), marcaram presença no evento: os irmãos Bourroulec, Nika Zupanc, Jayme Hayon, Matali Crasset, Marc Newson, Piero Lissoni (com uma cadeira linda, toda furadinha). Dentre todos, destaco Fabio Novembre: uma dobrinha dá o tom desta cadeira desenhada para a Casamania: sensacional. É de pequenas sacadas como esta que o bom design sobrevive.

E os “nossos” irmãos Campana continuam com seu “arroz com feijão” na Edra. Carreira consolidada e garantida, inventar mais o quê? Confesso que depois da cadeira “Cone“, fico sempre esperando por algo que me encha os olhos, mas nada. “Grinza” é mais uma peça que se baseia no trato do material: em pele ou couro amassados, nada demais. Teve também banquinhos revestidos em couro de avestruz, que serviram apenas para mostrar o material.

Em "Waver", de Konstantin Grcic, você flutua sobre a estrutura tubular, como se estivesse num parapente.

Konstantin Grcic é um outro nome que eu sempre procuro ver no salone. Desta vez me apaixonei pela “Waver“, desenhada para a Vitra. Inspirada em esportes externos como o windsurf e o paragliding, tem tudo a ver com uma mente esportiva, as cores, as linhas e a leveza de quem voa. Um show!

Agora, sempre tem gente bolando coisa nova e bacana né? Olha esse “sofá com cabaninha”, de Emanuele Magini para a Campeggi: primeiro é algo estranho, depois se converte em um sofá com encosto ou em duas poltronas com proteção (veja aqui tudo que ele pode ser). Um barato!

Claro que isso foi uma pinceladinha de nada em tudo que vi. Teve um espaço enorme da Corian inspirado pelo novo filme Tron, teve a bienal Euroluce – vi quase nada de iluminação, mas Ayala Serfati e Tom Dixon fizeram coisas bacanas – teve muitos objetos interessantes – a primeira vez que eu os vejo em coberturas de Milão. Pintando um destaque ou outro, eu publico por aqui. Milão nunca acaba…

PS importante 1: É claro que tudo que eu falo tem um filtro, pois só o que é super fotografado chega até aqui e pode ser comentado. Estando lá, minha visão seria outra, com certeza.

PS importante 2: Também é claro que se algum dia eu for a Milão durante a feira, vou falar durante meses a respeito…   Claro também que vou ficar deslumbradérrima e fotografar tudo que ver (e que for permitido, pois sou super comportada), com direito a tchauzinho no Duomo!

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