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Hoje é dia de Arte!

Quase um logo da mostra, "O tocador de pífaro" de Manet (1866), impressiona pela beleza do modelo e o fundo etéreo.

Estive na exposição dos Impressionistas ontem, no CCBB aqui do Rio, e portanto hoje é dia de falar de arte.
Incrivelmente, desde novembro, mil coisas aconteceram e eu acabei deixando para o último dia de expo para visitá-la. De-tes-to este lugar comum que “brasileiro deixa tudo para a última hora”, mas aconteceu comigo. Doeu, mas passa.
Mas a verdade é que tentei ir antes, uma quinta feira, dia útil, chuvosa, pela manhã, e a fila estava para, no mínimo, três horas de espera. Como tinha um compromisso em menos de três horas, desisti.

"Aula de Piano" de Renoir: talvez o quadro mais bonito da mostra.

Pensei que não ia mais e pronto. Mas deu um “não-sei-o-quê” em mim e ontem, saí de casa às 6h30 e fui para lá. Isto é, para a fila, enorme e, segundo consta, desde o dia anterior do mesmo tamanho!    Foram quatro horas e quarenta minutos de espera, que eu pensei que não ia aguentar. Mas aguentei firme e forte, e ainda havia fôlego ao entrar no ambiente da mostra para ver detalhes e saborear belezas.

Paul Serusier, 1891 - "Natureza Morta e o Atelier do Artista": influências de Gaugin e um impossível Matisse.

Passado o sufoco inicial a chegada na mostra era magnífica. Claro, toda a curadoria e a montagem foram feitas por equipes competentíssimas que não deixaram escapar nada. Só achei que, no segundo piso, onde ficavam as salas de “Cronologia” – fundamental para quem quer entender o porquê de tal movimento em tal momento da história – “Audiovisual” e “Educativo” estavam muito vazias. Na verdade, a sal de Audiovisual estava cheia, as outras duas é que estavam vazias. Uma pena uma área educativa tão grande “abandonada” assim. Mas entendo que a proposta era de as crianças primeiro visitarem a expo e, depois, irem até a tal sala para desenhar. Só que, depois do cansaço de 4, 5 até 6 ou 7 horas entre fila e exposição, poucos pais tinham disposição para ainda exercitarem a mente dos pequenos por ali – talvez seja uma visão parcial, só deste dia, mas é bom a organização das mostras pensarem nisso. Com tanta criança na fila, será que não dava para aproveitar a sala antes?

Gaugin em Van Gogh: "Sala de Baile em Arles" - 1888

Mas o espetáculo lá dentro foi especial para mim. Em média, o tamanho das obras é bastante próximo do que temos hoje em dia, já que os impressionistas pintavam ao ar livre e andavam um bocado até chegarem num determinado local que apreciavam. Mas umas três ou quatro peças de tamanho gigante chamavam bastante atenção (adoro tela grande). Peças dos grandes mestres – Monet, Renoir, Gaugin, Degas, Lautrec, Cézanne– eram especialmente saboreados pelos visitantes, mas outros menos votados deram seu recado e mostraram como o movimento começou, se desenvolveu, e foi ao fim, abrindo o caminho para a arte moderna.

"Argenteuil", de 1872: um surpreendente Monet quase sem cor.

Fiquei especialmente impressionada com um quadro de Paul Serusiér (que agora entra na minha “listinha” pessoal de artistas a conhecer melhor): pintado em 1891, “Natureza Morta e Atelier do Artista” me lembrou de cara Gaugin e… Matisse! Sim gente, na bagunça da minha mente as cores de Matisse cruzaram, de repente, para “encontrar” tal quadro. A influência de Gaugin (e também de Cézanne) é mais fácil de ser explicada dentro do ambiente da época, mas lembrar de Matisse foi bem divertido.

Ausência sentida: "Bal du Moulin de La Galette" de Renoir - 1876. Clique para ver maior.

Outra obra onde também é impressionante a “troca de estilos”, é a “Sala de Baile em Arles” de Van Gogh: nela, a fatura (pincelada) de Gaugin é super presente e o motivo, a composição, enfim, quase tudo, passa longe do que conhecemos como sendo de Van Gogh. E vi também outros artistas com a mesma “fatura doida” (carregada, pesada e sem direção) do holandês que se estabeleceu em Arles para viver: pintar como Van Gogh deve ser o máximo…

Outra falta: "Mont Saint Victoire - 1890, Cezánne.

Senti falta de algumas peças que mostrei aqui no post. Também, o Musée D’Orsay, proprietário da coleção, não ficaria sem acervo neste período de viagem da mesma. Sem contar que algumas peças são enormes, o que complica muito em relação a transporte e seguros.

Outra falta bastante sentida (por mim, ao menos): os quadros feitos por Monet da Catedral de Rouen, mostrando os efeitos da luz sobre a mesma em diferentes horários do dia. Clique para ver maior.

Enfim, todo um domingo mobilizado em função da mostra valeu a pena! A fila é um transtorno que nós, brasileiros/bagunceiros que somos, logo transformamos em diversão. Um bocado de conversa, água mineral, uma sentadinha no degrau e muita, muita paciência e perseverança de que se vai assistir a algo grandioso de fato motivam a ficar. Além, é claro, do desafio pessoal, da satisfação de saber que você “aguenta o tranco”, por mais chato e/ou pesado que ele seja. Agora é bastante comentado mas, com o passar dos anos, é só um dado a mais. O que fica, de verdade, é a emoção de cada peça que te marcou de um modo ou de outro.

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