nav-left cat-right
cat-right

Sobre como projetar um interior

Pequena e dinâmica empresa: uma arquitetura bonita e atual feita por Lise Noebauer e Associados. Clique para ver maior.

Pequena e dinâmica empresa: uma arquitetura bonita e atual feita por Lise Noebauer e Associados. Clique para ver maior.

No último post de 2013, quando convidei blogueiras de destaque na área de decoração e arquitetura para “apostarem” em alguma tendência para 2014, incluí uma pessoa que tive o prazer de conhecer alguns de seus pensamentos a respeito de nosso trabalho no ano passado. Lise Noebauer é arquiteta em Florianópolis e dirige um escritório de projetos há 21 anos. Uma pessoa adorável, que curte muito seu trabalho e que gosta muito de debater – sempre em alto nível – os temas “espinhosos” com os quais temos nos deparado – designers de interiores e arquitetos – nos últimos tempos. Mas Lise trabalha muito, sempre, e acabou que, quando ela escreveu, já estava em cima do hora da publicação do post – e o que é pior: eu teria que cortar muito do que ela (sabiamente) disse, em função do tamanho final da nota…

Daí que tive uma ideia: destacar o pensamento de Lise em um post só para ela. E aqui está ele, mostrando um pouco o trabalho desta catarinense, além de sua verdadeira “declaração de princípios” ao projetar – que é muito maior que a questão “tendências”. Vejam que bacana:

Quarto dos sonhos ou das Mil e Uma Noites? Os dois! Clique para ver maior.

Quarto dos sonhos ou das Mil e Uma Noites? Os dois! Clique para ver maior.

Maria Alice: pensei, pensei e pensei, e como estou voltando de uma cerimônia linda de bodas de ouro (o que me fez pensar mais ainda), ainda acho que refleti pouco para responder algo de tamanha responsabilidade… Sei que sou perfeccionista, então, vou deixar de ser “chatenha” e vou escrever logo… sem tanto preciosismo.

Primeiro, antes de “apostar em tendências para 2014”, prefiro escrever sobre as “crenças” que tenho profissionalmente, e que norteiam as decisões de projeto em nosso escritório. E que assim o são, por observarmos com muito afinco os hábitos das pessoas (clientes e não clientes), o que deu e o que não deu certo nas propostas que já fizemos ao longo dos anos, enfim… observação da nossa sociedade. Não somos donos da verdade mas, como todos, ajudamos a compor esse cenário, e assim, acabamos por estabelecer parâmetros com os quais acreditamos ser mais eficazes, úteis aos nossos clientes. Quero estender os parabéns aos colegas que já responderam, pois de alguma forma, estamos em sintonia (que legal isso!!!), pois várias das diretrizes que nos norteiam, estão de certa forma expressas nas opiniões que elas já escreveram. Assinaria em baixo. Vou escrever então, sem me preocupar se estou repetindo coisas ou não, Tu fazes o filtro e um “mix” aí depois, hehehehehe…

Um living em cores muito especiais... - clique para ver maior.

Um living em cores muito especiais… – clique para ver maior.

Vamos lá:
1 – Ambientes residenciais, ou mesmo comerciais, voltados a um indivíduo ou a um grupo mais homogêneo e conhecido de pessoas:

Privilégio do conforto sobre qualquer outro item puramente estético imaginável. Conforto físico – o que abrange os cinco sentidos – visão, audição, háptico (sensibilidade ao toque, às densidades e às temperaturas das superfícies que entram em contato com nosso corpo – exemplo: “este sofá é macio ou rijo para eu sentar? Esta pedra pode ser confortável para servir de degrau ou é instável porque seu relevo é irregular demais ou liso demais?”), sistema paladar-olfato e sistema de orientação. E também no sentido do conforto emocional ou psicológico: que elementos de composição acalmam, reconfortam, estimulam o usuário desse ambiente? E em que proporção o(s) usuário(s) precisam destes e de tantos outros elementos? Em resumo: CREMOS no alto conhecimento do comportamento e necessidades dos usuários, e na criação de espaços cada vez mais personalizados, que fujam do “humano padrão” (pois ele não existe), e do design da moda (argh… modulados que se cuidem – quando usados, que seja com muito critério). Móveis autorais ou não, cores da moda ou não, superfícies polidas, acetinadas ou foscas, elementos caros ou “baratim“, linhas retas ou curvas que sejam adequadas. Ou seja: “o número do(s) usuário(s)”. Afinal, nem nós mulheres, que costumamos “pagar micos” para ficarmos bem vestidas, não temos mais o hábito de usar sapatos desconfortáveis, pois sabemos que a estética dos nossos pés ficará destruída… (risos)

Valorização da arquitetura com o uso da cor: sacada de mestre!

Valorização da arquitetura com o uso da cor: sacada de mestre!

2 – Para ambientes institucionais, comerciais e públicos:

Regra muito parecida com a anterior, dada para ambientes mais personalizados, para atender um número menor de pessoas. Com a diferença de que a pesquisa, a observação e a responsabilidade é redobrada, pois esses espaços receberão uma variedade maior de pessoas, o que torna um desafio atender bem às suas necessidades. A gama de atributos a serem conhecidos é muito maior e mais complexos. Neste caso, priorizar o conforto é uma necessidade tão importante quanto pensar na conservação, na questão de muitas vezes atender uma parcela dos usuários com uma solução e desatender a outra com a mesma solução… Ou seja: apostamos no desenho universal responsável, comprometido com atender cuidadosamente o maior número possível de pessoas, de maneira elegante, amigável, sem barreiras, confortável e com simplicidade. Luxo é ser feliz ao proporcionar felicidade. Sem rótulos, sem elementos caros. Pequenos gestos de acolhimento que fazem a diferença.

3 – Para os dois casos: ambientes privados e públicos:

Gentileza e compromisso em manter e renovar os recursos que oferecerão conforto e espaços amigáveis para as próximas gerações. Em ambos os casos, soluções que primem pelo conforto do atual usuário, mas que contribuam para acabar com os recursos naturais, não serão sequer uma alternativa a ser considerada. É um ponto sem retorno pensarmos em soluções amigas dos usuários atuais, porém afinadas com o compromisso de não destruir e, se possível, contribuir para renovar nosso planeta (sim, em alguns itens isso é possível). Criar soluções que promovam a qualidade de vida da atual e das futuras gerações.

Um lindo quarto de menina: bons projetos também passam pela delicadeza... - clique para ver maior.

Um lindo quarto de menina: bons projetos também passam pela delicadeza… – clique para ver maior.

Como disse em mensagem a Lise, “obrigada por esta verdadeira aula de como trabalhar em interiores e arquitetura”.

Update nada a ver 11/01 – o blog vai ficar meio devagar por uns meses… Depois vocês entenderão por que.

Related Posts with Thumbnails

Deixe um Comentário