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LAB LZ by GT – Casa Cor Rio 2015

Um pedacinho da visada da entrada do LAB LZ by GT – clique na miniatura abaixo para ver amplo.

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Bem, que Gisele Taranto é uma talentosa profissional que só vem crescendo no cenário dos interiores de alto luxo aqui do Rio, muitos já sabem. Não sei exatamente se “crescendo” é a palavra, pois eu já a vejo como GIGANTE!  Por tudo, Gisele me surpreendeu e vem me surpreendendo positivamente ao longo dos anos em que vejo seus trabalhos. Mas eu realmente não esperava pelo que vi em Casa Cor Rio 2015

O acesso, a biblioteca e a obra “Anatomia da Sereia” de Walmor Correa: vista do LAB de Gisele Taranto. Clique para ver maior.

Num rápido olhar, seu espaço parece um estúdio muito simples e até “descuidado”. Mas a primeira coisa impactante que “me pegou”, nem é a mais importante: o piso elevado em vidro, todo preenchido com cacos de espelho é realmente avassalador para quem não espera “pisar em ovos”. A sensação é das mais peculiares e só por isso eu já disse a ela: “você pirou!”  Mas logo expliquei: “pirou” positivamente, no sentido de uma criatividade sem limites, sem medo de parecer isso ou aquilo, com vontade de mostrar mesmo algo diferente, não necessariamente belo. O que me causou espanto e admiração pode ser perturbador para outras pessoas, e ter a coragem de se expor assim, é realmente para quem pode.

Um pouco de calmaria: o sofá "Lego", belas cortinas em linho e um arranjo de pratos.

Um pouco de calmaria: o sofá “Lego”, belas cortinas em linho e um arranjo de pratos.

Daí que eu fui “descobrindo” o que mais existia neste ambiente que tem o que “dizer”: a sacação do inacabado, do mal resolvido do teto e das paredes – aliados a belas cortinas confeccionadas pela Orlean com linho inglês da Harlequin… – a escolha criteriosa de cada peça de mobiliário e de cada pecinha de arte ou decorativa. Gisele – e sua equipe, é bom que se diga, pois ninguém trabalha bem assim se não estiver rodeado por um bocado de bons profissionais – souberam compor algo com alma, com sabor, com gosto, mais até que simplesmente “um conceito”. Observe a “Anatomia da Sereia“, obra de Walmor Correa, na parede de saída e você entenderá o “admirável mundo novo” que a profissional nos oferece ao olhar.

Detalhe do chocante piso elevado com cacos de espelho por baixo - a peça "Molleta" faz o contraste.

Detalhe do chocante piso elevado com cacos de espelho por baixo – a peça “Molleta” faz o contraste.

A GT Arquitetura fechou parceria com a carioquíssima LZ Studio para criarem um “laboratório de ideias” na Casa Cor Rio – por isso este nomezinho estranho do espaço: “LAB LZ by GT“. A ideia era de realmente estar em um laboratório, de testes, de provas, de contraprovas, de novas ideias, de ideias viradas pelo avesso. E por isso o “como sentar” é instigado por diferentes cadeiras e bancos – até por um balanço – o “como habitar” é repensado através dos vídeos exibidos nas TVs que mostram espaços do futuro (“Os Jetsons“, “Next Habitat” do Piet Zwart Institute, holandês, entre outras ideias e estudos), o “como viver” é questionado em cada canto. Tudo ali tem um porquê, não pense que foi colocado à toa. O LAB será (ou já está sendo) um espaço para realização de encontros e palestras com profissionais de várias áreas, promovidas pela Casa do Saber (busque por “casa cor” para localizar os encontros).

Uma visada da "Área de Encontro": repare na suave iluminação. Clique para ver maior.

Uma visada da “Área de Encontro”: repare na suave iluminação. Clique para ver maior.

O mobiliário da LZ Studio – que sempre apresenta novas ideias e valores em design – traz uma miríade de famosas marcas de design e peças de designers nacionais e internacionais e foi bem dosado no espaço: para um “educado” puff “Seixos” de Flávia Pagotti, há uma peça como “Molleta da Riva 1920 (parece um super pregador de roupas). Para cada módulo de estante “Joop” – criação do escritório de Gisele – há uma cadeira “Bololo“, de Leo Capote, que chama à desconstrução (ou à “reconstrução”).

Um pouco da biblioteca: estantes delicadas, pufes para maior conforto e a cadeira "Bololo", em branco, para lembrar que o espaço é de "desconstrução/reconstrução" de ideias.

Um pouco da biblioteca: estantes delicadas, pufes para maior conforto e a cadeira “Bololo”, em branco, para lembrar que o espaço é de “desconstrução/reconstrução” de ideias.

Foi feita uma setorização de ambientes sem, no entanto, uma divisão formal ou brusca: algo que possibilita apenas uma “leitura” mais fácil do espaço. Logo na entrada, a área da biblioteca, com direito à estantes e livros variados que podem ser consultados pelos visitantes. Depois, um estar/lounge com um grande sofá assimétrico e vários apoios. E ainda uma área de encontro, trabalho e debate, com uma mesa e assentos para quem quiser conversar. As cores são leves, naturais, despretensiosas, com alguns pontos mais intensos: foram baseadas no romance “Iracema” de José de Alencar, o mesmo nome da edificação na vila onde está localizado o LAB.

Pelo outro lado, a visão da "Área de Encontro", do estar e, ao fundo, a entrada e a biblioteca. Clique para ver maior.

Pelo outro lado, a visão da “Área de Encontro”, do estar e, ao fundo, a entrada e a biblioteca. Clique para ver maior.

Com direito à curadoria de arte de Vanda Klabin – um outro “ponto alto” do espaço – e iluminação toda feita em LEDs, com projeto de Maneco Quinderé, digo a vocês que Gisele trouxe algo novo, irreverente (sem resvalar para o humorístico), e belo a seu jeito. Um trabalho que pode não agradar a todos, mas que renova o pensamento em design de interiores, o que já me deixa muito feliz.

SERVIÇO
Casa Cor Rio 25 anos
Villa Aymoré – Ladeira da Glória nº 26 – Glória
Até 13/10/2015
De terça a domingo das 12h às 21h

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