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Os 152 anos de Toulouse-Lautrec

"La Blanchisseuse" de 1884-88, uma de suas obras primas: record de venda na Christie´s.

La Blanchisseuse” de 1884-88, uma de suas obras primas. Record de venda em uma das casas de leilões mais famosas do mundo: a Christie´s de Londres.

 

Eu sempre curto destacar por aqui a obra de algum artista plástico, seja ele uma referência ou um iniciante. Hoje trago Tolouse-Lautrec pois fiquei sabendo que ele completaria 150 anos em 2014 – ele nasceu em Albi, próximo a Toulouse, sul da França, em novembro de 1864. Claro que este post faria mais sentido em 2014, mas acho que o mais importante é VER as maravilhas que ele criou, a qualquer tempo.

 

Retrato de Van Gogh, de 1887.

Retrato de Van Gogh, de 1887.

 

Feio, com dificuldades para falar e praticamente um anão, Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa não tinha nada para brilhar na noite parisiense de fins do século XIX, que retratou tão bem. Mas suas mãos de pintor e litógrafo criaram verdadeiras maravilhas. Ainda criança passou alguns anos com a mãe em Paris. Foi aí que sua nobre família começou a notar seus desenhos e pinturas nas margens dos cadernos escolares. René Princeteau, pintor amigo de seu pai, passou a dar lições ocasionais ao menino.

Duas fraturas, uma em cada perna, ocorridas quando era adolescente, fizeram com que seus membros inferiores parassem de crescer. Outros problemas de saúde o levaram a se dedicar à pintura, coisa que fez com maestria. Aos 18 anos se estabelece em Paris, junto aos artistas que conhecia: seu professor Princeteau e Jean-Louis Forain, com quem aprimorou sua técnica. Teve obras recusadas por museus da cidade mas não esmoreceu: trabalhou no ateliê de Fernand Cormon, outro artista que atraía jovens que desejavam reformular seu dom. No espaço de Cormon se interessa pelo impressionismo e pela arte contemporânea, pintando quadros que hoje estão nos melhores museus de todo o mundo.

 

Um dos pôsters para o Moulin Rouge: esse de 1891.

Um dos pôsters para o Moulin Rouge: esse é de 1891.

 

Admirava Degas, conviveu com Van Gogh – foi Théo Van Gogh, irmão do artista de origem holandesa, quem levou os primeiros quadros de Toulouse-Lautrec para a galeria de arte que dirigia – e viveu intensamente entre artistas de todas as vertentes – e todos os outros “tipos” – da Paris do fim do século XIX, quase XX. Às vezes passava dias sumido dos bordéis que frequentava sem que ninguém soubesse por onde andava. Eram os períodos de suas mais variadas e bem-sucedidas incursões artísticas. Martirizado por sua pequena estatura se socorria na bebida, até que, a partir de 1893 o alcoolismo começou a cobrar seu preço. Segundo carta de 1898 de Berthe Serrazin – contratada para servi-lo – para sua mãe Adele, “ele parece louco. Eu nunca o vi tão violento. Ele queria bater na pequena governanta“.

 

"Salon Rue des Moulins", de 1894.

Salon Rue des Moulins“, de 1894.

 

Foi internado em hospital psiquiátrico por ordens da família e até se afastou da bebida durante algum tempo, o que o trouxe uma saúde relativa. Mas de volta ao seu dia a dia “louco” na capital francesa, retorna aos velhos hábitos destrutivos o que o debilitam totalmente. Falece em casa de seus pais em 1901, encerrando uma vida triste e solitária, totalmente distante da beleza e do bom gosto de sua obra. Para se ter uma ideia, “La Blanchisseuse” (“A lavadeira”), pintado pelo gênio, foi vendido em um leilão da Christie’s em 2005 por mais de 22 milhões de dólares.

"The Clownesse Cha U Ka O" no Moulin Rouge.

The Clownesse Cha U Ka O” no Moulin Rouge.

Revolucionou também a tipografia da época ao ser convidado a criar o pôster de reabertura do famoso Moulin Rouge, em 1889. O enorme impresso onde quase não havia texto, trazia, no fundo, a silhueta dos espectadores e, na frente, o extraordinário dançarino ‘ Valentin “sem ossos” ‘, como era chamado. No centro, a dançarina La Goulue (“a glutona”, por sua atração pela bebida), a principal atração da casa e inventora do “can-can“.

Entre as glórias de seu trabalho e os vales de sua vida, Toulouse-Lautrec se equilibrou como podia. Sem dúvida nenhuma, um gênio a ser lembrado por gerações, ainda que, em vida, a felicidade não tenha sido sua companheira.

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