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Um pouco sobre a Casa Cor São Paulo 2016

O colorido e elegante "Vagão de Trem" que virou lounge e sensação na Casa Cor SP 2016 foi ideia do veterano Léo Shetman. Clique para ver maior.

O colorido (por fora) e elegante (por dentro) “Vagão de Trem” que virou lounge e sensação na Casa Cor São Paulo 2016, foi ideia do veterano de mostra Léo Shetman. Clique para ver maior.

Ponto de referência para todo o mercado de decoração no Brasil, a Casa Cor São Paulo neste ano completa seus 30 anos entre dois pólos: parece mesmo uma mulher de 30, com sabedoria sobre sua beleza e influência, mas também ainda guarda alguma coisa dos enganos da juventude. Quero dizer com isso que, “a senhora de 30”, mostra o que de melhor e mais bonito se pode ter em uma casa, com muito luxo, beleza e sofisticação, congregando os melhores nomes do mercado na área que, efetivamente, se concentram na capital do estado mais rico do país – e, de quebra, ainda convida os destaques de outros estados da federação que tendem a se projetar em seus estados de origem. Por outro lado, “a jovem confusa”, também não dá o braço a torcer: sua mesma virtude é mesmo seu maior defeito, ao não perceber que suas propostas são inviáveis para a esmagadora maioria da população, o que continua a deixar a todos perplexos. Além disso, insiste com o espaço do Jockey Club de São Paulo que, ainda que farto, ainda que com muitas possibilidades – neste ano por exemplo ‘descobriu-se’ uma nova ala que ainda não havia sido explorada pela mostra – me parece, já cansou visitantes e profissionais. Mesmo assim é um sucesso de público e a organização sabe disso perfeitamente e é por isso mesmo que a fórmula perdura, do mesmo jeito, todos os anos. Pelo mesmo motivo os patrocinadores continuam por lá e pelo mesmo motivo toda a mídia dá suas notas, notinhas e notões e todos os blogs reservam seus espaços para a mostra. E la nave va

O lindo espaço do estreante Alexandre Dal Fabbro é um dos mais belos da mostra neste ano.

O lindo espaço do estreante Alexandre Dal Fabbro é um dos mais belos da mostra neste ano.

Deixando de lado minha crítica sempre dura – que muita gente curte… – vou destacar aqui alguns espaços de que realmente curti neste ano. Depois farei uns poucos posts sobre espaços os quais curti muito e para os quais recebi releases explicando detalhes – não estranhem pois, nos dias que correm, ganha também quem se divulga melhor, né? Vamos lá…

Um oásis no caos urbano: essa parece ser a proposta do "Jardim Suspenso" de Andrea Teixeira e Fernanda Negrelli para a Casa Cor SP 2016. Clique para ver maior.

Um oásis no caos urbano: essa parece ser a proposta do “Jardim Suspenso” de Andrea Teixeira e Fernanda Negrelli para a Casa Cor SP 2016. Clique para ver maior.

Começo com o lindo espaço de Andrea Teixeira e Fernanda Negrelli: o “Jardim Suspenso” mais parece um estar super elegante e de muito conforto. Tem cantos de repouso, para conversar, para refletir, para fazer nada. Tem lareira no centro, plantas e orquídeas para enfeitar e reanimar o espírito. Piso em mármore crema marfil e marcenaria em carvalho americano, toques de dourado fosco e tons neutros para ficar bonito. E nada mais, pois está tudo ali, completo, perfeito, gostoso e belo.

Estreantes em Casa Cor, Beatriz Zamperlini e Mariana Zimmermann fizeram um “Banheiro Masculino” ótimo! Clique para ver maior.

Também curti muito o “Banheiro Masculino” de Beatriz Zamperlini e Mariana Zimmermann: num espaço pequeno – como todo banheiro, dirão vocês…  – a dupla soube fazer algo elegante, diferente e interessante sem resvalar para o decorativismo gratuito, nem para o “macho man” muito visto. As meias cubas da Deca são uma graça, a delicadeza das plantas meio embutidas na chapa de aço recortada (pintada com tinta marrom) e a pintura especial nas paredes fez tudo ficar um todo bem pensado e sem excessos: bem banheiro bem planejado, bem cuidado, sem frescuras! Super ponto para as profissionais!

Galhos secos e dourado fazem a festa para os olhos no banheiro da dupla carioca Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge.

Galhos secos e o dourado dos metais fazem a festa para os olhos no banheiro da dupla carioca Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge.

Há muitos profissionais de outros estados na mostra paulistana neste ano, e os cariocas Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge, “botaram pra quebrar”: seu espaço na mostra, o chamado “Banheiro Unissex 01” ficou absolutamente lindo, todo revestido em madeira com complementos em espelho e metais dourados. No piso um porcelanato escuro eleva o requinte. A parede espelhada fica atrás da bancada das cubas e reflete um jardim de galhos secos colocado bem ali – pela imagem você entende melhor. É enfim, um verdadeiro LU-XO, com poucos elementos e muita criatividade.

A elegância austera da "Sala de Almoço" de Gustavo Paschoalim e Paulo Azevedo. Clique para ver maior.

A elegância austera da “Sala de Almoço” de Gustavo Paschoalim e Paulo Azevedo. Clique para ver maior.

Uma “Sala de Almoço” de certa forma ‘estranha’, porém – e ao mesmo tempo – bela, simples e atraente: e assim que defino minha reação ao espaço de Gustavo Paschoalim e Paulo Azevedo. A mescla de referências ao passado e ao que nos é comum, cotidiano, nacional, ao estrangeiro, de outros lugares foi muito bem feita e tanto atrai quanto repele – e talvez esteja aí o meu “gostar desgostando”. Mas, ao final, fico com o ponto positivo. Há lambris pintados em verde céladon revestindo partes das paredes, objetos dos séculos 18 e 19, arranjos de plantas exuberantes bem tropicais e tecidos franceses revestindo móveis tipicamente brasileiros. A iluminação discreta foi muito bem trabalhada e o ambiente me passa algo de elegante e decadente, ao mesmo tempo. Um super acerto!

Do também estreante Otto Félix e sua equipe, o acertado Pavilhão da Recepção encanta com seus volumes, trabalhos em tetos, paredes, recortes e aberturas, além de mobiliário de design dos melhores.

Do também estreante Otto Félix e sua equipe, o acertado “Pavilhão da Recepção” encanta com seus volumes, trabalhos em tetos, paredes, recortes e aberturas, além de mobiliário de design dos melhores.

Me parece que todos os estreantes de mostras Casas Cor capricham ao extremo em seus espaços. Sim, isso é absolutamente normal, mas nem sempre dá certo. Já vi ambientes que ficaram “over” demais, “caprichados” demais, exagerados demais por esta vontade de acertar de cara. Mas estou vendo um cuidado sensacional por parte dos novos que, por vezes, superam os veteranos na curadoria de seus trabalhos. Otto Felix e seu estúdio é mais um exemplo disso. O “Pavilhão da Recepção” da mostra é uma obra de arquitetura das melhores com um design de interiores de se tirar o chapeu. Há um jogo de volumes interessante de se ver (e de se circular), além de peças de design confortáveis e proporcionais ao espaço disponível. Um balcão bonito e espaçoso para recepcionar os visitantes (como não poderia deixar de ser…) e nenhum acontecimento pirotécnico ou que tente “maravilhar” quem chega foi tentado (como já vi acontecer em outros anos e em outras mostras…  ). Apenas tudo no lugar certo, no ponto certo. Parabéns aos profissionais envolvidos na concepção de um lugar tão bem pensado e construído!

O charme de época no banheiro do Studio 011.

O charme de época no banheiro do Studio 011.

Outra dupla estreante, outro banheiro com o toque do bom gosto: o “Banheiro Feminino” da casa, criado pelo Studio 011 – isto é, Barbara Gomes e Giuliana Savioli – tem um ar Decô fortíssimo, que advém do prédio onde se insere a mostra. Com piso e paredes revestidos em recortes de mármore trabalhados na diagonal tem também lindos detalhes em metal dourado para todos os lados. Recebe luminárias em forma de globo feitas em vidro cristal e muitos espelhos bisotados. No teto tratamento com ripas de madeira para maior aconchego: uma graça!

A "Praça Eliane" de Alex Hanazaki: muita delicadeza e bom gosto. Repare nas 'brises' feitas com material cerâmico.

A “Praça Eliane” de Alex Hanazaki: muita delicadeza e bom gosto. Repare nas ‘brises soleils‘ na estrutura, feitas com material cerâmico.

Dentre os espaços paisagísticos o que mais me seduziu foi o de Alex Hanazaki: pudera, tenho acompanhado seu Instagram e fico maravilhada – mesmo – com seu trabalho, que é de uma beleza ímpar. Só que há diversos bons paisagistas por aí, e o que ‘me pegou’ mesmo, neste trabalho dele na Casa Cor foi a parceria com a Eliane Cerâmicas: como aliar a suavidade das plantas à apresentação de produtos um tanto pesados como cerâmicas e porcelanatos? De certa forma, o contraste é um bom caminho e é claro que o profissional foi por aí mesmo. Mas há que ter elegância, não é? E Hanazaki tem, de sobra: as peças cerâmicas foram colocadas em uma estrutura como se fossem brises soleils, além de revestirem pisos, caminhos e jardineiras. Há inclusive uma passagem revestida com os materiais da empresa sobre um espelho d´água, que ficou muito bonita. É, enfim, com delicadeza que se faz um belo trabalho do tipo.

O agradável living de David Bastos se abre para uma copa com cozinha super acolhedora.

O agradável living de David Bastos se abre para uma copa com cozinha super acolhedora.

Parar finalizar, o leve e belo “Living da Praia” do baiano David Bastos – que opera em todo Brasil com sua graça muito tropical e descontraída: um belo espaço feito com muito bom gosto e jovialidade, contando com um confortável living em brancos, off-whites e fibras, acompanhados por uma copa com cozinha ultra confortáveis. Há toques do rosa e do azul do ano no armário da cozinha, e também cerâmicas do Studio Heloísa Galvão. Naturalidade também no tapete de algodão e nos sofás com capas em linho. Um descanso para olhos, ouvidos, tato, olfato e mente…

SERVIÇO
CASA COR SÃO PAULO
Jockey Club de São Paulo – Avenida Lineu de Paula Machado, 775
Cidade Jardim – São Paulo – SP
De terça a quinta das 12h às 21h
Sextas, sábados e feriados das 12h às 21h30
Domingos das 12h às 20h
Até 10 de julho de 2016

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