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Casa Cor© Rio – o que há de melhor

Um dos espaços mais bonitos de Casa Cor© Rio 2016, a "Sala da Malú" de Joy Garrido, traz tons bem suaves e uma pegada vintage mas atual.

Um dos espaços mais bonitos de Casa Cor© Rio 2016, a “Sala da Malú” de Joy Garrido, traz tons bem suaves e uma pegada vintage mas atual.

 

Se há uma coisa DI-FÍ-CIL de se fazer em uma Casa Cor© é isso: separar o “crème de la crème“, o “best of the best“, o melhor de tudo. Afinal de contas a disputa é verdadeira e ninguém quer ficar para trás. E os profissionais se esmeram, se esforçam e, não raro, fazem coisas que nos envolvem, nos surpreendem mesmo, se superam, “causam”. Mas a mim, confesso, é um pouco difícil conquistar.  Eu sei que eu sou chata, implicante demais, e ponho defeito (às vezes) onde não há…  mas este “onde não há” é entre aspas mesmo, pois há, há sim algo imperfeito, errôneo, mal concebido, mal pensado, mal feito. Talvez “mal feito” seja o exagero: é mal pensado e muito bem feito – aí ninguém acha o defeito. Tá bonito, lindíssimo, mas foi mal pensado. O conceito não bate, a ideia é ruim, enfim, eu penso, reflito e acho um senão… Talvez o pensamento do profissional está perfeito para ele. Para mim, não. Essa é a função do crítico a que me auto promovo. E ninguém gosta de críticos…

Mas há partes boas e até divertidas – sem dúvida! E há gostos que ninguém às vezes entende num crítico. Às vezes, num ambiente confuso, a gente acha a beleza da confusão e da diferença. E naquele ambiente todo certinho e feito para ganhar elogios e ser aplaudido não tem… Enfim, é assim que a coisa acontece. Pelo menos comigo. Vamos lá?

O melhor do melhor dessa Casa Cor© Rio, para mim, foi o seguinte…

O belíssimo "Estúdio da Filha" de Jairo de Sender me conquistou como um dos melhores ambientes da Casa Cor© Rio deste ano.

O belíssimo “Estúdio da Filha” de Jairo de Sender me conquistou como um dos melhores ambientes da Casa Cor© Rio deste ano.

Estúdio da Filha“, de Jairo de Sender – Olha, eu não ia colocar o espaço do Jairo aqui não, mas eu fiquei num dilema… o problema é que a gente SEMPRE “endeusa os deuses” e isso é desnecessário… mas, neste ano, o trabalho do Jairo estava especial: por que? Por que estava o próprio “Jairo encarnado de Solange Medina”, que é outra “deusa dos interiores cariocas”. Sério mesmo: entrei no “Estúdio da Filha” e lembrei de Solange… tudo, tudo, tudo, absolutamente tudo me lembrou a suavidade e a beleza dos ambientes dela: as cores, os toques, os materiais e achei que o Jairo se saiu tão bem compondo um ambiente beem feminino, luxuoso e cheio de ‘GLAM’, que me lembrei de algo similar que aconteceu na Casa Cor© SP, quando Roberto Negrete “confessou” que encarnou Carolina Szabó… smiley29 Enfim: quem tem talento tem mesmo, e não se trata de nenhuma cópia: seja sob a batuta de um ou de outro profissional, tenho certeza de que o espaço ficaria lindo. Mas Jairo me surpreendeu muito positivamente ao propor um espaço de dormir, de beleza, uma biblioteca, uma pequena cozinha e um local de refeições em 36 m² bem resolvidos. Um destaque é a iluminação que engloba embutidos lineares que saem do piso e rasgam paredes e tetos, fitas de LED nos móveis e pendentes em acrílico plissado nas laterais da cama. As cores claras, os tecidos refinados, as peles e os mil detalhes são coisas de mulher, mesmo. E viva o talento que perpassa os gêneros e até… as personalidades e os espíritos…

Design de Ninar“, de Leila Dionizio – Acho que esse foi o primeiro ambiente que vi em Casa Cor© Rio nesse ano, e BA-BEI. A verdade é essa mesmo, BA-BEI! Não é mais um simples quarto de bebê com todos os fru-frus característicos, todas as gracinhas típicas. Não é um quarto de menina ou de menino com fofezas para a gente curtir e ter vontade de ser mãe – ou bebê, para ser mimado. É mesmo um ambiente pequenino, de apenas 10 metros quadrados, que se destaca pelas soluções bem pensadas, pela sacadas lúdicas e até pelas coisas que não ficaram tão bem assim, pra gente pensar – e repensar. Eu adorei o berço sob medida, tipo balanço, pendurado ao teto. Eu adorei o trocador, que é pequenininho, e perguntei se cabia um bebê ali: claro que não caberia e a recepcionista logo me mostrou que ele estava dobrado e logo abriu o móvel embaixo demonstrando que seria preciso mais espaço e abrir também o pequeno colchãozinho para trocar a fralda do rebento – nada demais, não se troca a fralda a todo instante. Eu adorei as duas nuvenzinhas lúdicas feitas com neon iluminando com jeitinho o teto do quarto sem fazer muito calor… O revestimento em madeira clara dá espaço para um enxoval de menino ou menina, as fitas de LED sob o topo do lambri (que estavam caindo) têm que ser mais bem fixadas (e podem ser menos intensas), a grande letra toda iluminada gera muito calor e pode ser dispensada. Pra mim Leila se superou – tem uma hora em que isso acontece com todo bom profissional: ele se supera, se ultrapassa, mostra o quanto tem para mostrar, para desenvolver, para fazer ainda, e este foi o ano de Leila. Agora é pegar novos espaços, maiores e mais desafiadores e mostrar tudo que ela pode.

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Sala da Malú“, de Joy Garrido – Eu sou fã de Joy, disso vocês já sabem. E que ela arrebenta em (quase) todas as mostras que participa também vocês já sabem. Um problema aqui, outro ali não são suficientes para colocar em jogo toda uma carreira de muitos sucessos, de muito bom gosto, de muito bom senso. E, neste ano, mais uma vez, Joy ficou com um espaço de muita responsabilidade e deu como resposta um dos mais belos ambientes de Casa Cor© Rio. A “Sala da Malú” é simplesmente a sala da dona da casa, Malú da Rocha Miranda, uma socialite muito atuante que viveu no século XX. A historia de ‘dona’ Malú é muito bonita e só por isso merecia que fosse contada aos visitantes de Casa Cor©. Casada com Celso Rocha Miranda, ela não ficou restrita aos ‘happenings‘ da sociedade carioca de então. Formada fisioterapeuta, foi também “legionária voluntária” fundadora da ABBR – Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, que desde 1954 atende no bairro do Jardim Botânico, aqui no Rio, quem precisa de reabilitação motora decorrente de doenças ou acidentes. Segundo conta o catálogo da mostra, quando ficou bem idosa, já aos 90 anos, dona Malú ainda saía de casa para visitar a associação e ajudar de alguma forma – seu único compromisso era esse. Não é uma pessoa a ser lembrada, e bem lembrada? Há fotos dela no espaço, comprovando que era uma mulher muito bonita. Joy também fez uma pequena exposição de vestidos de Guilherme Guimarães, costureiro da senhora, cujas outras clientes emprestaram vestidos para compor o closet do lugar. Há também um esquema de cores ultra suave que envolve tons de rosa e de verde piscina (que nas fotos vira um azul muito simpático) com fundo branquinho que tornam tudo um ambiente ‘vintage‘ contemporâneo maravilhoso! Acho que ‘dona’ Malú, sensível e delicada como parecia ser, ia amar! E o chá da tarde ali servido, entre amigas, devia ser uma delícia!

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Sala de Banho“, de Marta Guimarães e Daniele Faraco – contígua à Sala de ‘dona’ Malú, esta sala de banho é das mais bonitas da casa. Durante a visita eu impliquei com um monte de detalhes funcionais, mas devo dizer a vocês que, tirando eles (e são fáceis de resolver), este espaço está estonteante! A escolha do branco para espaços de áreas molhadas já vai no caminho certo – é difícil fazer um banheiro feio que seja branco em sua maior parte, mas acontece. Já o contrário – fazer um banheiro feio que NÃO seja branco em sua maior parte – é mais fácil. Portanto, usar tudo branquinho facilita, mas há que ter mais “molho” para ficar belo de verdade. E foi aí que a dupla de profissionais acertou em cheio: o revestimento em seixos brancos nas paredes é a coisa mais linda do mundo; o piso marmorizado em cinza claro, a cuba dupla da Deca – apesar de seus ‘senõezinhos’ de limpeza, já melhorados do ano passado para cá – é de uma “beleza bela”, mesmo! Os metais são lançamento da mesma marca, e a banheira “Bahia” da Sabbia, uma graça! E a iluminação? Bolada pela Ângulo Iluminação – que ainda vou conhecer melhor e contar tudo para vocês aqui – muito bem feita. Olha, que espaço…

Copa Íntima“, de Cláudia Santos – outro ambiente delicado até dizer chega, feito com que a mais pura feminilidade que se pode trazer a um espaço! Esta é a “Copa Íntima” de Claudia Santos. Um toque de rosa aqui, uma gracinha ali, tudo remete ao feminino, ao belo, ao sutil. Formas orgânicas em todos os lados, papeis de parede “gracinha” revestindo as paredes – e o teto, está na tendência – luminárias com acabamento em cobre para ficar mais ‘inn‘: tudo bonito, bem pensado, bem acabado, num espacinho pra lá de apertado para tornar tudo cozy, bonitinho, simpático. Lugar para trocar confidências, comer um biscoitinho, ler um livro, tomar um chá. Nada de pressa, nada de chatices, apenas bem estar e um monte de coisinhas para se olhar, tocar, investigar, acariciar, investigar e até esconder. Lugar ótimo para se passar uma tarde chuvosa, pensando na vida, ou em nada. Adorei!

Jardim Sensorial“, de Raphael Costa Bastos – olha, eu estive à noite no espaço e gostei muito do que vi. As pessoas sentadas no cantinho cheio de almofadas gostosas, confortáveis, batendo aquele papo, saboreando aquela bebidinha que elas curtem, sem nenhuma perturbação, com a temperatura certa, o tom certo de luz, o clima certo ao redor. Sim, havia uns mosquitinhos, o que no Rio desses tempos preocupam, mas também não me arrancaram a pele, o que sói acontecer muitas das vezes em vários lugares que visito. Então considero que ficaria ali, de dia, de noite, conversando e contemplando o jardim de Raphael “na boa”, curtindo e aproveitando a companhia de um amigo ou amiga sem cansar. E para que os espaços são feitos senão para acolher a gente bem assim? Quando vi a foto do lugar de dia, que publico acima, tive a certeza: é sim um dos melhores ambientes de Casa Cor© Rio 2016! Se você for com tempo, perca o por lá, com uma bebidinha e um bom amigo. Vai ser memorável…

Banheiro Público“, de Roberta Nicolau – normalmente, se começa na Casa Cor© fazendo um banheiro, geralmente público. É assim que Roberta está começando seu caminho que, espero, seja coroado de êxitos como o foram de muitos. O que eu posso – e até devo – dizer, hoje, é que ela mostrou muito talento neste pequeno e super desafiador espaço: um canto do terreno que ela teve que levantar do nada. De um lado, os sanitários. Do outro, uma bancada em acrílico preto com maravilhosas cubas – também em preto – com direito a vidros para se observar o lindo jardim no entorno. Por cima desta bancada, uma criativa luminária toda feita com lâmpadas e cabos enrolados em uma barra de metal. O espaço é todo revestido em pedra, madeira ébano e porcelanato em tom de cimento, numa lindíssima composição que dá o tom rústico do lugar. Iluminação na medida certa que não deixa nada escuro nem claro demais para um espaço que precisa ser discreto. Nota dez em conforto, criatividade e beleza.

Living Gourmet“, de Alexandre Gedeon e Hugo Schwartz – Não conheço bem o trabalho da dupla, que forma a “InTown Arquitetura“, mas gostei muito de tudo o que vi neste galpão erguido sob medida no quintal da mansão dos Rocha Miranda. O fechamento na lateral feito com treliça de madeira, como um muxarabi (elemento arquitetônico de origem árabe que serve como fechamento para janelas e balcões, permitindo a ventilação e o “ver sem ser visto” – quem está dentro vê o que está do lado de fora, mas não o contrário), encanta qualquer um que curta arquitetura. E o que dizer do interior, descolado, bonito, elegante, atual, todo cheio de bossa e de vida? Não dá para esperar mais de um espaço do que eles ofereceram para os visitantes de Casa Cor© Tem um sofazão confortável para bater aquele papo – ou para assistir à TV grandona, em eventos que todo mundo se reúne para ver – tem mesa de jantar, tem bom gosto, design e conforto, com muito vidro e madeira para “temperar” o lugar. Gostei muito!

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Pátio Modernista“, de Patricia Marinho e Manuèle Colás – Patrícia, afastada há muito de eventos Casa Cor© – fazia dobradinha com Luiz Marinho, que agora atua em parceria com seus filhos, Bruno e Mariana – volta com tudo à mostra. E a família foi de novo importante neste ano no espaço da arquiteta que se inspirou em um belíssimo painel de azulejos composto por ninguém menos que seu pai, Noel Marinho, para montar uma espécie de solarium, varanda, estar, lounge ao lado da peça. Antes de saber exatamente do que se tratava, apostei que o painel era obra do expoente Athos Bulcão, para vocês verem como a beleza dos trabalho de Noel correspondem perfeitamente ao traço modernista da época. E Patricia em conjunto com Manuèle souberam compor um lugar gostoso de se estar, para conversar, trocar uma ideia, curtir um solzinho – a cobertura é um toldo retrátil – observando arte misturada ao verde ao redor. Madeira clarinha, muito conforto com almofadas fofas revestidas com algodão, cheios e vazios perfeitos. Eu adorei!

Nota: não tenho certeza se é o primeiro ano de Roberta Nicolau em Casa Cor© Rio, mas como não a conheço ainda e ela fez um banheiro público, acabei por deduzir que sim. Se não for, me perdoem, mas é uma jovem iniciando na profissão e muito bem por sinal…
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