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Casa Cor© Rio 2016: os ambientes “no ponto”

Um dos mais bonitos espaços de Casa Cor Rio 2016, o Bistrô do Jardim de xx está aqui hoje por bobeira minha... Talvez...

Um dos mais bonitos espaços de Casa Cor© Rio 2016, o “Bistrô do Jardim” de Ricardo Melo e Rodrigo Passos está aqui hoje por bobeira minha… talvez…

Importa destacar também os ambientes que achei que estavam “no ponto” na Casa Cor© Rio deste ano? Sim, na medida em que há os que estavam “bons, mas nem tanto” e também os que “não estavam bons” e ainda os “ruins de fato”. Claro, não os declaro aqui – e raramente o faço para muita gente – pois além de ser desagradável é desnecessário: cada um que sabe de si e dos ambientes que gostou e desgostou. E vai haver gente que AMOU determinado espaço que detestei e gosto não se discute, é coisa antiga e chata de se dizer, todo mundo sabe. E acho justo mostrar que houve quem eu gostei, mas que faltou um pouquinho para agradar de vez – ou que agradou mesmo, mas que cometeu um ou outro deslize que o fez sair da galeria dos gostei muuuito. Vamos ver?

O lindésimo family room de xxx está aqui pois não se imagina sala da família tão chique! Clique para ver maior.

O lindésimo “Family Room” de Fábio Bouillet e Rodrigo Jorge está aqui pois não se imagina sala da família tão chique! Clique para ver maior.

Começo com o “Family Room” de Bouillet e Jorge: ora, já se viu dois marmanjos que mandam super bem em absolutamente tudo de casa – de solteiros, de jovens, de velhos, de casados, de tudo mesmo, fazerem ambiente de família… pra quê? Pra mostrar exatamente isto: que têm talento para dar e vender e que podem montar até quarto de bebê com garbo. Mas… ficou tudo cinza meus amigos… e isso (e só isso…), foi o bastante para me encafifar… a sala da família é gostosa, pra se esparramar, pra se fazer aquela baguncinha de fim de domingo, pra se dormir de monte, um em cima do outro, sem grandes mármores e/ou granitos… e aquela pedra cinza, e absolutamente linda que vocês escolheram para a parede, ficaria lindésima em qualquer living, em qualquer hall classudo de casal ‘über chic‘ ou de dandi poderoso. Mas ali, na sala da bagunça do domingo sonolento, ficou demais. Linda demais, sofisticada demais. Adorei o tapete, mas ele vai ficar cheio de pipoca e pisoteado de biscoito das crianças, não dá…

Unidade Omni de Rodrigo Barbosa: chiquérrima, mas achei que faltou luz...

Unidade OMNI” de Rodrigo Barbosa: chiquérrima, mas achei que faltou luz…

A chamada “Unidade OMNI” do Rodrigo Barbosa nada mais é que um super closet para um “homão”, né? – parece nome de módulo lunar ou disco voador, mas é só isso. Estava perfeição, só que eu acho que nem um homem arrumadinho, arrumadinho vai curtir ficar ali naquele breu!  Tudo bem, tudo bem, tudo bem: há de haver algum homem que vai curtir tudo. Mas vai chegar uma hora em que uma luminária sem vergonha, vinda de uma loja sem vergonha (não quero “citar nomes” que me vem à mente no momento…  ), vai entrar ali e atrapalhar tudo. Tudo tão lindo, tão perfeito, tão bem planejado, tão bem cuidado… Mas falta um tantinho de luz. Pode até ser que tenha e não ficou claro pra mim (desculpe o trocadilho). Eu adoraria dar de presente um espaço desses para “o meu homem”, mas daria com uns toques de luz a mais para evitar o ‘desastre iminente’: nenhum homem tem informação suficiente para, num momento de descuido (e de desgosto profundo), comprar uma luminária horrorosa na primeira loja horrenda por onde ele passar e destruir o projeto. Ser designer é antecipar o futuro…

No "Quarto do Casal", o pecado do excesso.

No “Quarto do Casal“, o pecado do excesso.

Não sei onde achei defeito no “Quarto do Casal” de Adriana Valle e Patricia Carvalho. Talvez naquele “penacho” que está no ambiente ao lado (o “Terraço do casal” de Bruno Carvalho e Camila Avelar…  ). Mas o quarto dessas meninas está lindo, lindo, LIIIINDOOO! Tem um toque francês, um charme italiano, uma ginga carioca… Tem tudo para bombar, para aparecer, para ser “best of the best“, mas… não me emocionou, não me “pegou”… Por que será? Talvez tenha faltado algo. Mas o quê?… olho as fotos e não compreendo. Mas uma coisa, eu sei e não é falta: é excesso. Está cheio demais.  Se por um lado eu acho “acolhedor”, por outro eu vejo “cheio”, e isso não é bom. Sabe quando a gente tem “crise de muito espaço” e vai botando coisa pra dentro, achando que vai caber tudo e, ao final, nota que ficou apertado? Pois é, eu acho que foi isso que deu nas meninas. E o pior: coisas que se tropeça no meio da casa: como eu detesto isso…  No momento estou tropeçando em tantas coisas pelo caminho, em minha “casa caixa” (vocês jamais vão entender a situação…  ), que fiquei com essa impressão de “coisas pelo caminho” neste espaço. Coisas lindas, todas, é claro… mas nem por isso deixam de ser coisas a desviar da canela. Pronto, achei. É triste, mas é isso…

A "pegada industrial" na Cozinha de Bianca da Hora é forte, mas ela não se esqueceu da delicadeza na horta feita na estante de vergalhão e no piso suave em ladrilho hidráulico. Clique para ver maior.

A “pegada industrial” na “Cozinha” de Bianca da Hora é forte, mas ela não se esqueceu da delicadeza na horta feita na estante de vergalhão e no piso suave em ladrilho hidráulico. Clique para ver maior.

A “Cozinha” de Bianca da Hora está “da hora” como a gíria bem traduz. Tudo perfeitinho no seu lugar. A sacada de usar cerâmica no piso e revestimentos nas paredes foi uma das melhores: ladrilhos hidráulicos coloridos em tons pasteis sextavados, fazem um lindo piso e o laminado que lembra cimento queimado sobre a bancada da cuba, ou tons neutros arenosos nas demais paredes são uma beleza! Aliás toda a bancada e os armários “chamam” o cinza, mostrando um “ar brutalista” dos mais interessantes. A belíssima estante em vergalhão fininho – que enche os olhos com sua pequena hortinha e preenche um espaço que ficaria sem função – e a bela declaração em francês – “Crème de la Crème” – em neon – que veio com tudo nesta edição – completam um espaço que podia ter dado errado e ficou muito bem em seu conjunto. Pendentes com carinha de indústria fazem bonito sobre a mesa de encontro. Bianca foi uma das profissionais que – como eu disse em post anterior de Leila Dionizio – desabrochou e mostrou a que veio. É aposta certa para brilhar num living ou quarto na próxima edição da mostra.

O cor de rosa impera no Banheiro Público Feminino de Vera Rebello, mas há muito mais que isso no espaço. Clique para ver maior.

O cor de rosa impera no “Banheiro Público Feminino” de Vera Rebello, mas há muito mais que isso no espaço. Clique para ver maior.

O “Banheiro Público Feminino” de Vera Rebello me encantou na hora: quem é que teria a coragem de colocar tanto rosa em um só lugar em outros tempos? Talvez, Brunette Fracarolli que é dada a “coisas de Barbie” como estas, mas o estilo dela não é este, por incrível que pareça (é mais sério). Mas Vera foi corajosa sim, e investiu no tal do rosa que, afinal de contas, foi ratificado pela Pantone© como “cor do ano”. Talvez não na tonalidade que ela utilizou, mas eu tenho visto tanta coisa por aí – incluindo Karim Rashid afirmando que “o rosa é o novo preto”, há anos passados – que acho que ela resolveu “botar o bloco na rua” e ver no que ia dar. Pois ficou bonito, equilibrado e nada de mau gosto ou exagerado. Eu, que não curto nada feminino demais, curti, fotografei e divulguei. Talvez não fizesse na minha casa (que inclusive tem um banheiro rosa…), mas acho que foi bem feito, bem escolhido e pronto. Só não acho que foi perfeito. Entra para a história por assumir uma cor vista meio de lado por muitos.

Belos tons de laranja com cinza e rosa na "Mercearia da Casa", que funcionou como uma deli durante o evento.

Belos tons de laranja com cinza e rosa na “Mercearia da Casa“, que funcionou como uma deli durante o evento.

A “Mercearia da Casa” estava um mimo! Mas aqui cabe uma explicação maior…  Devo dizer que Paula Neder foi minha professora e também coordenadora do curso de Design de Interiores que me fez entrar para o mercado, então conheço muito bem seus trabalhos e, portanto, sei que ela faz tudo com muito apuro, muito cuidado e carinho. Luiza Pedral, sua sócia atual vem complementar bem suas características e a dupla vem realizando belos trabalhos. E quando se trata de espaços “públicos” em Casa Cor©, que vão “funcionar” de fato – ou seja: que vão ser utilizados como um restaurante ou uma sorveteria – a responsabilidade de quem faz aumenta, e tudo tem que sair muito bem: do ponto de vista funcional e visual. Não se pode ter um bar bonito mas que não tenha gelo. Não se pode ter uma joalheria bem iluminada mas sem expositores seguros para joias! Tudo precisa sair a contento e por isso é fundamental que a organização do evento, o profissional responsável e a empresa que vai gerir o negócio durante a mostra ajam de forma muito coordenada. E é por isso que Paula já fez muitos espaços comerciais em Casa Cor© Rio… neste ano a delicatessen Deli Delícia assumiu o espaço da mercearia para servir tira gostos e pequenas refeições e foi justamente ali que eu resolvi me sentar para beber uma água e fazer um lanchinho. Qual não foi a minha surpresa ao ver Paula por ali também. E o mais divertido: foi o lugar onde passei mais tempo em Casa Cor© Rio neste ano. Pude desfrutar do ar condicionado dentro da pequena venda – pequena mesmo, espaço exíguo para muita coisa – teto pintado à mão com pintura especial e direito a umas luminárias diferentes e bem bonitonas, tecnologia de ponta com diversos gadgets que a deli trouxe (ou solicitou que houvesse), lindas pastilhas sextavadas cor de rosa na parede de fundo, cadeiritas e mesinhas gostosas, confortáveis – salvo uma ou outra meio bamba, fechei os olhos para isso, juro – não é meu feitio. Cordialidade e salada no copo – o que facilita quando se tem que fazer refeições rápidas e frugais. Foi enfim um espaço bem pensado, bem desenvolvido e, até onde pude desfrutá-lo, bem agradável para quem o vivenciou. Parabéns a Paula e a Luiza. Só não ficou entre os preferidésimos pois achei que lá dentro a coisa ficou muito apertada – e também achei que a pintura do teto poderia ter ficado ainda melhor.

Arrumação do Bistrô com mesão logo na entrada: pode ser assim, mas também com diversas mesinhas. Repare na linda jardineira de Ana Paula Castro à direita. Clique para ver maior.

Arrumação do “Bistrô do Jardim” com mesão logo na entrada: pode ser assim, mas também com diversas mesinhas. Repare na linda jardineira de Ana Paula Castro à direita. Clique para ver maior.

Não tem defeito o “Bistrô do Jardim” de Ricardo Melo e Rodrigo Passos: é, não consegui achar um senão.  Uma coisinha linda o espaço no fundo do quintal da mansão dos Rocha Miranda. Se eles ainda morassem lá – ou se pretendessem morar lá ao fim de Casa Cor© – podiam pedir para desmontar tudo, tudo, tudo e deixar lá aquele lindo mini restô e receber pessoas para jantar – quem sabe até contratar algum chef para explorar o lugar, hein?  Mas não é o que vai acontecer, visto que a casa deve ser vendida ao final do evento. É fato que me encantei com tudo: as cores, as estampas, tudo bem arrumado, bem cuidado e bem tratado. A parede com jardineiras em concreto fazendo o jardim vertical é simplesmente maravilhosa! O(s) serviço(s) de mesa – muito bem escolhido(s) e bem composto(s). Mas o teto é bem baixo, o que me pensar que há algum problema nas instalações, o que pode inviabilizar o funcionamento a longo prazo, desfazendo minha fantasia de ter um restaurante no quintal de casa. A parede estampada é divina, pois tem um padrão de rosas corajoso e um pouco incomum em restaurantes. Então… Por que não ficaram no post anterior? Digo a vocês que… não sei, acho que “comi mosca” ou que sinto que o lugar do ambiente é aqui mesmo, sei lá por que. Idiossincrasias da crítica, sei lá por que. Fica pra próxima a explicação, ou nem fica, por que este não é um ‘ranking‘ definitivamente fundamental no meio…

Suave, elegante e bonita: assim é a Joalheria de Angela e Patricia Meza na Casa Cor deste ano.

Suave, elegante e bonita: assim é a “Joalheria” de Angela e Patricia Meza na Casa Cor© deste ano.

Angela Meza é uma veterana da decoração no Rio que nunca realmente esteve realmente “presente” mas que também nunca realmente esteve “ausente”. Seu nome não é nem muito nem pouco conhecido. Patricia Meza, sua irmã e sócia, faz o apoio necessário neste mercado tão difícil e concorrido. Logo, quando vi a belíssima “Joalheria” que montaram na mostra me surpreendi positivamente: “Meu Deus, afinal de contas, por onde anda Angela Meza todo este tempo que não faz mais projetos para mostrar pra gente?…” Enfim, coisas de interiores e arquitetura, que eu espero que mude a partir de agora. Num belo equilíbrio de suavidade, brilho, polidez e leveza das joias, a dupla levou pedras brutas, pesadas e rústicas para o espaço. Ao mesmo tempo em que explorou mais delicadeza em luminárias lindíssimas, igualmente polidas sobre as vitrines para as joias. Muitos neutros e muita suavidade em todo o espaço que só não esteve perfeito por que faltou um pouco de ousadia nas cores para que “crescesse” mais aos olhos da gente. E mesmo assim – eu acho – Angela mostrou a que veio – e o que mostrou não é pouco!

Devo ao menos citar alguns ambientes que não falei mas que gostei, um pouco menos que “ao ponto”: a “Casa de Vidro” de Gabriela Eloy e Carolina Freitas; o “Roca Estar” de Carlos Carvalho e Rodrigo Beze; o “Quarto da Imaginação“, de Paula Costa; o “Quarto do Neto” de Tatiana Lopes e Tatiana Mendes; as “Cabanas” de Duda Porto; o “Empório Orgânico” de Tiana Meggiolaro e Bia Lynch, e o “Jardim da Fonte” de Daniela Infante.

Estão todos de parabéns!

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Uma Resposta para “Casa Cor© Rio 2016: os ambientes “no ponto””

  1. Gusttavo disse:

    Que ambiente lindo, um sonho. Parabéns!

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