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Entrevistando Marcelo Ligieri – parte II

As linhas retas e premiadas com o iF Design 2016 de “Kei”

As linhas retas e premiadas com o iF Design 2016 de “Kei

Nesta segunda parte, Ligieri fala um pouco mais sobre seu trabalho na Doimo e sobre o design brasileiro: vamos conferir?

leia a primeira parte

9 – Seu conhecimento vem do “chão de fábrica” por assim dizer? Você acha que falta algo da academia, de uma graduação formal em design?

Acho que não, toda profissão de criação tem uma estrutura de trabalho semelhante: pesquisa, desenvolvimento e produto final. Muita pesquisa e atualização sempre acompanha esse tipo de profissão, a graduação é só uma base. Grandes arquitetos do passado como Le Corbusier e Frank Lloyd Wright projetavam as edificações e desenhavam os móveis.

Fabricado em diversos materiais, o descontraído banco “Canoe” mostra a versatilidade de Ligieri ao criar: selecionado para a exposição do Prêmio de design do Museu da Casa Brasileira em 2007.

Fabricado em diversos materiais, o descontraído banco “Canoe” mostra a versatilidade de Ligieri ao criar: selecionado para a exposição do Prêmio de design do Museu da Casa Brasileira em 2007.

10 – A Doimo faz parte de um grupo italiano. Você diria que aprendeu muito com eles? Qual a parte “brasileira” da empresa, ou seja, o que tem de Brasil lá dentro?

Eu tive a oportunidade de conhecer muitas fábricas, mas as empresas do Grupo Doimo têm tudo independente: administração, produção, criação. O que produzimos aqui no Brasil é bem diferente de tudo que é feito na Itália.

11 – E hoje, como designer na empresa, o que você mais gosta, mais curte criar?

Curto tudo: desenhar produtos, projetar os estandes, dirigir e produzir as fotos, dirigir o site, as viagens de pesquisa, as feiras de lançamento de produtos… o mais legal é que cada época do ano estou com uma atividade diferente.

A limpeza de formas da poltrona “Evo” é o que a destaca como uma das mais bonitas da criação de Marcelo Ligieri.

A limpeza de formas da poltrona “Evo” é o que a destaca como uma das mais bonitas da criação de Marcelo Ligieri.

12 – Você já disse – em uma mini entrevista sua que li – que é pragmático, que mais que inspiração para criar, que “o pátio industrial que gera o produto, influencia diretamente no desenho”: e aí eu pergunto: como fica a “verve criativa”?

Obviamente tudo tem meu traço e passa pelos meus crivos estéticos, mas é a coleta de dados que cria o funil de condicionantes para saber o que e como criar. A análise do relatório de vendas da minha linha, pesquisa de mercado e uso da vantagem competitiva da empresa são determinantes na criação. Não posso lançar um produto que vai canibalizar meus ‘tops’ de linha, não posso lançar um produto que não seja produzido com tranquilidade pela fábrica.

É muito bonito o papo de inspiração, mas isso faz o designer parecer uma peça alienada. Para inserir produtos no mercado e em uma linha de produção existem muitos aspectos que têm que ser levados em consideração: o objetivo é desempenho, a arte é consequência.

13 – Você tem vontade de criar peças de um outro tipo, outro estilo?

Estou na Doimo porque tive uma oportunidade, fiz minha carreira aqui, o que dita o estilo da peça é meu desenho e onde é produzido, de certa forma os recursos de que disponho na fábrica também definem alguns detalhes do meu produto.

Disponível em madeira, laca ou revestido em tecido, o banquinho “Tack” é outra peça onde a descontração mostra o quanto Ligieri ainda tem a mostrar.

Disponível em madeira, laca ou revestido em tecido, o banquinho “Tack” é outra peça que mostra o quanto Ligieri ainda tem a produzir.

14 – O que falta ao design brasileiro para ser reconhecido no exterior?

Não falta nada, já somos reconhecidos: o Brasil é um país fantástico, onde a diversidade influencia diretamente na nossa produção de design. Todo ano temos muitos brasileiros com premiações internacionais.

15 – O que você diria para alguém que hoje sonha em ser designer de sucesso como você é?

Eu tive uma grande oportunidade, isso foi determinante no meu rumo profissional.
Temos que buscar informações o tempo todo: design é uma profissão que depende acima de tudo de pesquisa, da sinergia com tudo que está ao seu redor, fábrica, mercado, tendência, economia.

A interessantíssima mesa “Disco”, nas versões lateral e de centro, também disponível em diversos acabamentos para o corpo e tampo.

A interessantíssima mesa “Disco”, nas versões lateral e de centro, também disponível em diversos acabamentos para o corpo e tampo.

16 – Você se diz uma pessoa realizada e geralmente isso tem dois aspectos: a vida pessoal e a profissional. O que você pode nos dizer de seu dia a dia fora do trabalho?

Me sinto realizado na vida pessoal e profissional, tenho o trabalho e a esposa que eu queria, ainda não tenho filhos. Gosto de uma vida simples, sem ostentação, de muita risada, muita simplicidade.
Pratico musculação, curto muito ficar em casa, assistir a filmes de ação, programas de carros, comida caseira… divirto-me com pequenas coisas e sou muito ligado a família.

17 – E na vida profissional? O que falta conquistar?

Continuar aprendendo, colocando produtos novos no topo do meu relatório de vendas, me auto desafiando o tempo todo.

A belíssima mesa de jantar “Life”, em madeira em diversos tons, com ou sem sobretampo em vidro e 4 opções de tamanho. Clique para ver maior.

A belíssima mesa de jantar “Life”, em madeira em diversos tons, com ou sem sobretampo em vidro e quatro opções de tamanho. Clique para ver maior.

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