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Cores do ano 2018

Olha os tons de vermelho que a Lukscolor aposta para 2018: surpreendentes!

Curiosa essa coisa de acompanhar a “dança das cores”, ou a “dança da previsão de cores do ano”, ano a ano. Se você começar a ler o que se escreveu nos anos passados – e algumas empresas fabricantes já começaram, elas mesmas, a exibir as previsões anteriores, além de blogueiros como eu, que começaram a refletir sobre o que disseram e no que apostaram – fica parecendo um jogo, com poucas cores fazendo parte de uma certa “ciranda” que, na verdade, nada tem a ver com a “real realidade” do que se faz em decoração durante o ano. E se você for olhar ao menos UMA previsão de fora do país como costumo fazer, aí a coisa endoida de vez… 

Na paleta “Magnética” da Suvinil, os tons de vermelho intenso se afirmam.

Tudo isso para dizer o que sempre digo: é uma previsão frustrante e meio frustrada. Não existe esta coisa de “cor do ano”, mas existem as famílias de cores e tons mais beneficiados e usados, valorizados e lembrados em determinadas épocas. Bem me lembro que, quando eu tinha 16, 17 anos, um certo verde e um laranja neon eram o sucesso na moda. Ainda tenho roupas dessa época e não tenho coragem de usá-las por achar esses mesmos tons um absurdo!  O que vamos dizer desses tons de rosa usados em sofás, almofadas, vasos, armários, que hoje fazem a cabeça de todo mundo, daqui a uns 10 anos? PENSE!  Enfim, o “azul BIC” que hoje eu uso feliz da vida em blusinhas do dia a dia também virarão um horror dentro de alguns anos, bem como algumas peças douradas que hoje a gente exibe com orgulho na sala – e também em escritórios super chiques…

Tudo passa, tudo sempre passará…” diz sabiamente a letra da canção de Lulu Santos que passou, mas sua música não.  E as cores de 2018 são as que veremos aqui: todas ótimas agora, péssimas daqui a algum tempo. Portanto, não exagere… use-as com sabedoria, de preferência, pense nas cores vizinhas e nas parentes próximas. Nada de enfiar o pé na jaca… 

Carregada de misticismo – para o bem e para o mal – a Pantone© apostou no “Ultra Violet” – e quem viver verá no que isso vai dar…

A tal cor do ano que vem me surpreendendo mais é o “Ultra Violet” da Pantone©. Os místicos dizem que é a cor da espiritualidade e que portanto é chegada a hora da humanidade – FINALMENTE! – dar o salto quântico que precisamos para sair de um estágio e passar para outro, na escala karmica que vamos andando. Sei disso tudo mas não acredito que a Pantone© tenha acertado e escolhido o ano – a empresa é criada por homens gente, não pelas divindades…  e por mais que a gente deseje que o mundo melhore e que todos fiquem bem, ainda acho que essa transformação humana demora umas boas décadas… portanto, vai bombar sim, essa cor já estava “escrita nas estrelas”, já estava em evidência há alguns anos atrás inclusive substituindo o rosa claro em quartos de meninas e jovens, vocês lembram? Pois é, neste ano veremos muito “violeta light” – ou nem tanto – por aí, mas é bom lembrar que esta cor carrega em si algumas características negativas, e eu realmente não vou me meter com as tendências para o “não” desse roxinho: a fragilidade, o ocultismo, o mistério…

Adorno Rupestre” da Coral é descrito como um “cinza rosado”…

 

… e “Terra Roxa” da Suvinil é um laranja que descende de um rosa. Clique para ver maior.

De forma coincidente – ou talvez nem tanto assim…  – as duas grandes fabricantes de tintas do país acabaram confluindo suas previsões de cor do ano em 2018: ambas apostaram em tons rosados, uma tendendo mais ao violeta e outro mais aos tons terrosos – vejam como está realmente tudo interligado. A Coral aposta em “Adorno Rupestre” e o chama de “cinza rosado”, enquanto eu o vejo como um rosa com pingo de violeta. E a Suvinil vai de “Terra Roxa“, direto na terra, direto no roxo, derivando do rosa de 2016 da Pantone© e o ligando aos terrosos, sem deixar de passar pelo lilás da multinacional de tendências… Não é uma misturada total, mas com tudo muito próximo? Mas, para quem não quer optar por um “samba de uma só nota”, ambas as empresas oferecem famílias de cores para que se escolham caminhos alternativos e isso é o mais importante.

A paleta “A Casa Reconfortante” com tons terrosos e suaves…

… e “A Casa Lúdica” com tons mais ‘bitter‘ e bastante elegantes: ambas propostas da Coral para este ano

Falando primeiro da Coral, se diz que o rosa acolhedor “Adorno Rupestre” pode ser “reconfortante, convidativo ou lúdico“. Achei o tom também parecido com a cor que a Suvinil indicou no ano passado, o rosa “Cortina de Teatro” (vejam como tudo tem a ver…  ), e acabei por concluir que a empresa ficou lá e cá: um bocado rosa, um bocado cinza (sim, esse tom é meio acinzentado mesmo), um toque de azul (que vem do ‘azul BIC’), e no caldeirão da mistura deu isso. E, para não fugir à regra, as famílias contam com diversas opções de tons terrosos, ou seja, sabiamente, não se deixou de lado o que deve ser a próxima grande tendência em cores (que você vê na paleta “A Casa Reconfortante“). O verde também não foi totalmente esquecido, e você os vê na paleta “A Casa Lúdica“, que é uma das mais bonitas do ano.

Lindos tons alaranjados e amarelos da paleta “Magnética“… Clique para ver maior.

 

… e as novidades da paleta “Ideológica” que pode ser uma grande aposta para o ano que vem – ou ainda para este mesmo, quem sabe? – são propostas da Suvinil.

Já a Suvinil foi na fonte de toda a beleza brasileira, na terra e na transformação pela qual o rosinha de 2016 da Pantone© passou por aqui e apostou num tom terroso profundo: é isso que vejo em “Terra Roxa“, um alaranjado com um toque rosado dentro do grupo que a empresa classifica como “Natural“. Neste grupo ele é acompanhado por verdinhos suaves e bastante convidativos e outros tons de terra bem neutros, que muitos usam instintivamente em suas casas para se “protegerem” de tons mais fortes e “violentos”. Gostei também da forma de apresentação da “cor do ano Suvinil”, mostrando que, para eles, esta é a cor do ano, mas que, para qualquer outra pessoa, pode ser qualquer outra – Ó, liberdade e originalidade afinal, nada da ditadura que viemos observando há anos nas grandes empresas que querem nos vender suas verdades…  – E há que se destacar a suavidade da paleta chamada “Magnética” – também muito, muito bela e realmente delicada e muito ligada aos beiges e neutros que muitos gostam, com toques de roxo e azul. Não posso deixar de destacar a paleta “Ideológica“, com muitos azuis poderosos que vêm tomando espaço e que poderiam até ter sido a escolha da empresa para cor deste ano, tamanha pujança e força dos muitos azuis, acompanhados por vermelhos e rosas intensos que só podem ter vindo de tons muito usados nos dois anos anteriores.

O lindíssimo tom ‘Caliente‘ de Benjamin Moore é a cor do ano na América.

Pausa para olhar para fora do país e ver que o charmosíssimo vermelho “Caliente” da norte americana Benjamin Moore foi escolhida a cor de 2018 pela empresa. Notável perceber o que virou o rosinha da Pantone© na América, não é?… 

Um tom denso, escuro, mas ainda assim muito belo: “Melodia do Mar“, da Sherwin Williams.

A Sherwin Williams apostou no azul: se declarando inspirada nos tons marítimos, escolheu “Melodia do Mar” como sua aposta do ano. O nome é poético, bonito e a tonalidade também, ainda que eu a avalie como meio escura, mas sei que seus degradées e derivados mais claros realmente devem ser lindos e viáveis para qualquer lugar. Há muito verde na mistura para obter o tom, apesar de não se perceber isso a uma primeira olhada, mas na hora de misturar a cor em qualquer tipo de material – seja tecido, tinta ou papel – vai se perceber facilmente o “tom de fundo”. Na defesa da escolha pelo azul e por este tom em particular, a empresa informa o seguinte: “o azul é uma cor básica, acessível e fundamental, ainda mais quando falamos do azul encontrado na natureza. Se pararmos para refletir um pouco mais, podemos dizer também que o azul, de certo modo, é indefinível. Já parou para pensar que o oceano tem tons de azul, mas um copo de água do oceano não é azul? O mundo do azul é vasto, suscitando uma variedade de humores e associações dependendo do matiz, do tom e da aplicação. Porém, independentemente das suas variações, o azul sempre se apresenta de maneira inteligente, segura e interessante. O nosso Melodia do Mar, é cheio de personalidade, uma cor que está no espectro entre o verde e o azul, oferecendo a paz, calma e tranquilidade do azul e o equilíbrio e as propriedades de crescimento do verde” – palavras de Patrícia Fecci, gerente de marketing e especialista em cores da empresa. Também apresentando belas paletas de cores, batizadas com os nomes “Afinidade“, “Sinceridade” e “Conectividade“, a empresa dá um belo recado em cores para este ano.

Reflexion“: seguindo a internacional Pantone©, a Lukscolor aponta para um violeta suave como cor de 2018. Clique para ver maior.

E a Lukscolor também aposta em mostrar a evolução de suas escolhas: agora com as famílias “bianuais” fica ainda mais fácil perceber as transições. No catálogo 2018-2019 a cor escolhida para este ano foi um violeta “à lá Pantone©”: segundo a empresa “Reflexion” traz uma leveza de tons que é tendência e conduziu toda a pesquisa da marca para o catálogo com as famílias de cores. “Com uma nuance ligeiramente cinza, o azul se faz protagonista. Sua delicadeza abre possibilidades e permite infinitas combinações. Esta sutileza também pode ser notada nos rosas, amarelos e marrons da coleção”, destaca Deise Melo, estilista de cores da marca. E eu curti muito as famílias de cores presentes no catálogo: os vermelhos, praticamente marrons, que abrem este post, são belíssimos e surpreendentes. Os rosas, quase nudes, quase zerados, são maravilhosos, bem como os laranjas, pouco intensos e voltados para um tom de um leve cair de tarde. Os amarelos, estonteantes de belos, e os verdes, profundos, interessantes mesmo. Azuis degradando para os lilases claros ou para os cinzas – ótimos de se usar em várias situações – e os marrons com jeito mais acinzentados e bastante nobres, requintados. Tem ainda as famílias “Neutros Frios”, “Neutros Quentes” – essa em particular, um espetáculo para quem curte begezinho claro – e “Ponto de Vista”, que são uns básicos para quem procura por ‘não cor’.

Apostando num matiz ainda mais profundo que o do ano passado, a Eucatex escolheu “Eucalipto“: verde escuro denso, para dar base a vários esquemas de cores. Clique para ver maior.

A Eucatex foi fundo no verde e intensificou a cor do ano passado (pela Pantone©) “Greenery“, apostando desta vez num verde mais profundo: “Eucalipto” é um tom de verde acinzentado, que vai da rebeldia mais jovem ao adulto mais austero, das referências urbanas às mais rurais, do universo cosmopolita ao mais étnico. Segundo release da empresa, para que fosse possível se chegar ao tom, foi realizada pesquisa pautada em quatro grupos de gostos do Hemisfério Sul, em especial o Brasil, levando em consideração as influências internacionais sobre o comportamento de consumo da indústria criativa. Os nomes desses grupos foram os seguintes: “Parque dos Sonhos“, “Desconstrução“, “Etnia Retrô” e “Design Futurista“. No primeiro (“Parque dos Sonhos”), as cores são exuberantes, tendem ao orientalismo, aos tons fortes e aos altos contrastes – inclui os terrosos de outros fabricantes e também verdes, azuis e amarelos que andam bombando por aí. O segundo grupo, ao invés de “Desconstrução” devia-se chamar “discrição” pois é totalmente recatado, envolvendo cinzas e rosinhas claríssimos, além de tons de madeira quase sem cor: alguns tons mais vivos de azul e amarelo podem aparecer mas pouco, sem excessos. O terceiro grupo, “Etnia Retrô“, aposta nos intensos azuis, terracotas, marrons, e rosas, com alguns crus para contrabalançar – achei meio perdido esse grupo. E finalmente, “Design Futurista” traz uma mistureba de cores como se fossem objetos plásticos, artificialismo, esquisitices mil. Sei lá, posso me enganar, mas puseram aí uma experimentação doida de alguns tons de cores, mais o preto, uns off-whites e aquele verde sálvia que ninguém sabia como classificar, para não se perder a chance de oferecer essas cores. Complicado justificar estes dois últimos grupos, viu? 

As paletas de cores “Sinceridade“…

… “Afinidade“…

… e “Conectividade” da Sherwin Williams: famílias de cores as mais belas de 2018.

Bem, em resumo, o que eu posso dizer a vocês é o de sempre: vá colorir sua casa, suas roupas, sua vida, sem medo de errar. Claro que um certo cuidado e alguns testes sempre são indicados, mas eu não me guiaria por modismos e/ou cores da moda ou do ano para decorar minha casa. O mais importante é o que você gosta, curte e imagina. Depois, use sempre a teoria da cor: o que combina, o que contrasta, quais os ‘vizinhos’ do tom que você escolheu para usar. Depois disso, aproveite e arrebente com sua imaginação! Cor faz bem pra gente e se errar, tem mais tinta, tecido e cerâmica para dar uma corrigida básica. Então, use cor, com coragem e alegria! 

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