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Um pouquinho de Milão 2018

Como sempre os japoneses da Nendo estiveram presentes em diversos stands de marcas famosas em Milão, dentre eles o da Fritz Hansen, onde projetaram uma cadeira em madeira.

Sim, todo ano tem essa confusão de Milão no meio de Expo Revestir aqui no blog, é normal, todo mundo entende, só eu que fico maluquinha pois tento dar alguma ordem à coisa e fico perdidona querendo escrever sobre *tudoaomesmotempoagora* e, realmente, não dá… 

E o que é pior! Não tenho tempo para escrever nem sobre um, nem sobre o outro, me sobram matérias sobre a Revestir, me sobram matérias sobre o que rolou em Milão – nem dei o start ainda – estou dando agora, após 12 dias de encerrado o evento – e me cobro de todas as maneiras possíveis, vocês não entendem! 

O fato é quem visita o blog e vê uma matéria ou outra assim, saindo bonitinha, com espaço de dias uma entre as outras, com calma e vagar, não compreende o stress que eu fico do lado de cá pra saber COMO arrumar tudo que chega e mais: gerenciar tudo que já está pintando de novo: “Que Expo Revestir o quê! Foi em março, já era!” – “Que Milão o quê! Foi em abril, já era!” (isso sou eu, brigando comigo mesma…  ). Daí que, para não virar um jornal com 50 páginas por dia, coisa que não dá mesmo para ser, este ínfimo bloguinho vai levando de destaque em destaque e buscando ser o que pode ser… 

Bem, entendidas as limitações e superadas as reclamações, generoso público que me lê, vamos ao que interessa, que são os primeiros dez destaques do Salão do Móvel de Milão em 2018, numa seleção cuidadosa feita com duas semanas de pesquisa e leitura para vocês. Vamos lá?

Primeiro, dois novos designers que, segundo matéria no Dezeen, despontaram neste ano e devemos ficar “de olho neles”  pois têm talento para o futuro. A seleção tinha 10 pessoas mas só estes dois realmente me pareceram bons. A vanguarda nem sempre me atrai, ou melhor, raramente me atrai – eu sou uma conservadora clássica  … – mas é verdade que MUITOS dos super talentos de hoje começaram assim, fazendo umas bobagens… 

Beleza e interação humana na base do design dos módulos de Kusheda Mensah. Clique para ver maior.

Kusheda Mensah, nascida na África, bem ali, em Gana, estabelecida em Londres, mostrou uns módulos muito, muito bonitos – eu curti! – que podem ser encaixados de modo que as pessoas se aproximem para… conversar, ou estar juntas simplesmente. É interação sabe? Aquela coisa que alguns de nós vem se esquecendo de fazer com os outros pois só sabem ficar sozinhos, navegando na internet por exemplo…  Ou seja: além de serem bacanas, descontraídos e bem feitos, lembram que somos seres gregários e que precisamos estar perto uns dos outros

A cadeira de Christophe Machet é simples mas reaproveita canos de esgoto!

O outro, uma simples cadeirita: sim, parece simples mesmo e até lembra outras peças de bom design. A cadeira desenhada por Christophe Machet não tem nada de sensacional, a não se que ela é feita com um pedaço de um cano de esgoto!  Isso mesmo: o encosto em vermelho que você vê é uma seção de um tubo de PVC reaproveitado: ou seja um super ‘upcycle‘ que tanto nos interessa num mundo que não tem “lá fora”, ou seja: tudo que estiver “aqui dentro” vai ter que ser reaproveitado de um modo ou outro! Melhor que virar lixo nas matas ou oceanos, que vire um belo design, não é? O rapaz tem futuro sim… 

O grande anel “O” de Aravena e Artemide é mais simbólico que prático.

Não foi ano de Euroluce mas as luminárias sempre têm destaque certo, não é? Esta, da Artemide, é obra de ninguém menos que Alejandro Aravena, arquiteto chileno que já arrebatou o Prêmio Pritzker de 2016. Chama-se “O” (de “O”riginal, hehehehe…). Na verdade Aravena se apresenta através de sua empresa, que se chama “Elemental“, e o interessante da luminária é que ela fica assim, num campo aberto, e só se ilumina quando detecta a passagem de alguém ou alguma coisa – ou seja, possui sensores de movimento.

Musa“: uma verdadeira joia de luminária!

Mas para ficar com algo mais “usável”, digamos assim, achei linda esta peça suave e realmente discreta, criada pelos suecos do Note Design Studio para a espanhola Vibia: chama-se “Musa” e tem modelo de teto, parede ou mesa, em tons de branco, salmão ou cinza. Fica linda quando acesa pois a esfera de vidro opalino fica parecendo uma pérola…

Dupla de misturadores de bancada da nova “Atrio” da alemã Grohe.

Não é o lugar mais ‘apropriado’ para tanto mas, como tudo é design, a alemã Grohe aproveitou para renovar seu show room na cidade e mostrou sua nova Coleção “Atrio” em Milão, que é linda como a maioria de seus ‘quase perfeitos’ produtos para banheiros e cozinhas. Nesta linha são quase 200 peças a ver e, pelas imagens, você vê que não é coisa para se deixar de lado não… 

Misturador de parede da nova linha.

Concebida para ser altamente ergonômica, com elementos confortáveis para segurar, tocar e mover, a linha está disponível em três acabamentos: “Super Aço“, “Grafite Escovado” ou “Cromado“.

Torneira alta de bancada com acessórios.

Isso é uma cadeira…

… não disse que era? Clique para ver maior.

Esta é para quem diz que não tem espaço: tem sim!  O designer Emanuele Magini e a  Campeggi, ambos italianos, insistem que em todo cantinho dá para colocar a sua “Anish“, que nada mais é que um círculo dentro de um quadro, mas se você se aproxima e literalmente se senta sobre ele, lá está: uma cadeira, não muito forte, não muito confortável, mas ainda assim um lugar onde sentar-se! Ah… que alívio, não? Ou seja: de um lugar sem cadeiras para um lugar COM cadeiras! Se você não tinha onde sentar, agora tem! Se o problema agora é que você, sentado, impede a passagem, já é outro problema, mas a questão inicial que era sentar-se, foi resolvida! 

Na imagem na feira uma coisa… Clique para ver maior.

… na imagem ambientada, muito melhor!

Uma tendência que pintou neste ano foram estampas na cozinha, ou melhor, nos eletrodomésticos. Foi ano de Eurocucina e viu-se bastante nos ambientes montados por lá exemplos de cozinhas estampadas, estampadonas até. #ConfessoQue não gostei, mas há quem curta e, de uma primeira olhada pode parecer difícil aceitar, depois vem algo suavizado e mais de acordo com o dia a dia e a gente até engole usa.  Uma das mais comentadas foi a pareceria entre Smeg e Dolce e Gabanna que trouxeram dois fogões, duas enormes coifas exaustoras e duas belas geladeiras totalmente customizadas. Nas fotos do evento elas parecem mais brutas que nas imagens em cozinha ambientada, para vocês terem uma ideia do que é ambientação e luz correta, então, tudo pode acontecer…

A bela coleção de Starck para a Kartell, toda em… madeira! Clique para ver maior.

E a Kartell neste ano resolveu vir toda diferente! Plástico é a sua realidade, sua matéria prima de eleição, mas neste ano ela pediu a seu “astro mor”, Philipe Starck que trabalhasse com… madeira. É, nada como dar uma mexida grande e forte nas nossas maiores certezas – por exemplo: “Kartell fabrica móveis de plástico e ponto final” – para que todo mundo saia da famosa zona de conforto e se abram mil novas possibilidades. Eu fico imaginando como deve ter sido na fabrica lá em Noviglio (nos arredores de Milão), trabalhar com pau rosa, freixo e outras espécies menos cotadas mas, após o choque inicial, deve ter valido a pena. E até que foi simples: Starck desenhou peças de design belo e simples e as “vestiu” de madeira. Ficaram ótimas, interessantes – eu compraria e repaginaria a casa toda se fosse o caso…  – diferentes e deram o que falar e o que pensar. Ponto para a empresa que está pensando em como fazer o futuro diferente: do plástico e da madeira, imagino eu…

Benjamin Hubert e seu sistema totalmente reciclado. Clique para ver maior.

E outro ‘upcycle‘ dos melhores foi feito na parceria entre Benjamin Hubert e a dinamarquesa têxtil Kvadrat: a empresa fabrica quadros duráveis a partir têxteis bem no fim de ciclo de vida de indústrias têxteis, quando praticamente não podem mais ser reaproveitados, e o designer criou um sistema chamado “Shift” que pode ser usado como painel de parede acústico plano ou base para prateleiras usadas para exibição e/ou armazenamento de itens. O sistema flexível foi projetado para maximizar as áreas de espaço e exibição em resposta às necessidades de constantes mudanças nas lojas – de moda ou não – e não utiliza parafusos, braçadeiras ou outros itens de metal para ser montado ou desmontado. É um espetáculo! São quatro cores disponíveis – azul (Denim reciclado), branco (lençóis de hospital reciclados), amarelo e cinza e faz um desafio às indústrias a repensar o uso de seus recursos, ANTES de virarem apenas lixo e seguirem poluindo o planetinha azul… Brilhante/sensacional! 

Olha o charme dessa poltrona… Clique para ver maior.

Essa apareceu como uma “mais mais” de Milão este ano e eu achei uma graça mesmo: trata-se da poltrona “Louise” de Philippe Nigro*** para a Zanotta, toda em madeira com almofadas no assento e encosto. Todas as suas partes são recortadas como se a madeira fosse uma imensa “folha de papel” e encaixadas uma a uma. Mas é tudo muito simples, e apesar de parecer robusta, ela tem uma pegada leve e atual. Gostei muito e entra para o meu “mais mais” também! 

***Esse cara andou aparecendo demais em Milão 2018, é bom ficar de olho nele também… 

Puro charme e estilo “Prince Cord” da Minotti está sendo lançada em novas cores. Clique para ver maior.

Outra coisa lindésima que vi – agora para exterior – foi a nova coleção ‘Prince “Cord”‘ da Minotti . Design de Rodolfo Dordoni, ela é daquelas coisas chiquérrimas italianas que ficam ótimas nas terrazzas da Costa Amalfitana, da Riviera Italiana… Mas é lógico que ficam ótimas here, there and everywhere onde houver um espaço bonito e bem composto. Feita em fibra escura e clarinha e bons e belos tecidos para revestimento em exteriores, claro que vale para interiores descontraídos também.

Leves no visual e no peso mesmo, os pufes “Pix Cubo” são versáteis como pedem os dias de hoje. Clique para ver maior.

E para finalizar os dez destaques, uma coleção que é leve feito brisa, mas é tudo que se precisa nos dias de hoje, desenhada pelos japoneses do Iwasaki Design Studio para a Arper: os pufes da coleção “Pix Cubo“, em silhuetas quadradas e retangulares, evocam jogos, geometrias, algo bem prático. Como blocos de “Lego”, os pufes macios e modulares – disponíveis em todas as cores do arco-íris – podem ser dispostos em composições infinitas em residências ou escritórios. Conforto fácil fácil!

Um extra: a Moroso veio muito mais devagar neste ano, ela que sempre “balança as estruturas dos pavilhões de Rho-Pero“. Mas vi um pequeno clip de apenas 1 minuto e meio com seu preview da coleção que me deixou muito contente: ao invés de cores berrantes e móveis escalafobéticos, tudo meio pastel, calminho e tranquilo. Tudo meio zen, como peças elegantes e bem interessantes. Achei que eles deram uma parada este ano, para pensar nos rumos do que será a casa no futuro, e vieram calmos como a brisa. É bonito e tranquilizante. Num mundo agitado como o nosso, vale a pena fazer esse exercício também. Assista!

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