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Casa Cor São Paulo 2018 – as casas – parte I

Ôôôôô de casa…” Casa Cor© São Paulo este ano veio cheia de casas, exclusivas e completas para um só profissional trabalhar. Na imagem, a entrada da “Casa da Árvore Renault“, de Suíte Arquitetos.

Nem todo ano eu falo sobre a Casa Cor© São Paulo por aqui mas é inegável o peso do evento no calendário de acontecimentos em decoração, design e arquitetura em nosso país para passar desapercebido. Há muitos lançamentos de produtos, tendências são confirmadas, outras reduzem sua importância, outras começam a aparecer e a gente vai conhecendo um monte de coisas novas. E neste ano em especial o que se comenta além de seu tamanho – 81 ambientes não é uma mostra, é uma verdadeira maratona!  – é que ela está muito rica e muito bela. O espaço disponibilizado pelo Jockey Clube de São Paulo colabora, e agora temos a figura das casas, isto é, os profissionais mais destacados criam casas inteiras, com estar, jantar cozinha, banho e suítes para que o estilo completo de uma família seja traçado. E daí surgem bibliotecas, varandas e cozinhas gourmets, closets e outros espaços super especiais e de metragem bem ampla. E ainda sobra espaço para espaços comerciais – do restaurante à lojinha, e para vários ‘espaços satélite’ que, se não se integram a um todo de uma casa, exibem ideias tão diversas e exóticas quanto o “Transtudio” de Ricardo Borges ou o “Coliving” de Clariça Lima, que por vezes encantam e outras… nem tanto… 

A completa integração com a natureza ou ‘Urban Jungle‘ foi a tendência do ano. Na imagem, a “Casa Terra” de Paola Ribeiro.

Uma coisa é certa: neste ano a tendência “Urban Jungle” (algo como “selva urbana“) dominou: todas as casas tiveram como mote a natureza integrada a elas, ou grandes panos de vidro, ou grandes árvores integradas em seus interiores. Pequenos espaços apressaram-se em colocar um verde em seus cantinhos. Não se trata de respeito a natureza, mas de uma real busca por viver dentro do mato, o que nem todo mundo está acostumado. Não me parece que é algo duradouro ainda, mas a verdade é que houve um esforço real por imaginar como seria uma casa realmente com plantas dentro – apesar do que o que eu sempre penso, as consequências: mosquitinhos e bichinhos mil que vêm junto, e que fazem parte do bioma da árvore. Conviver com eles faz parte, mas…

Bom, dividi o post em algumas partes pois é muita coisa a mostrar, claro. Primeiro, as casas, depois os espaços. E mesmo assim ficou tudo enooorme, vocês sabem o quanto escrevo e o quanto “garimpo” para escrever bem e certo sobre cada assunto. Então, lá vamos nós!

A entrada da “Casa Raízes” com suas lindas portas pivotantes rústicas. Clique para ver maior.

Pela ordem de visita, primeiro falo sobre a “Casa Raízes” que não por acaso faz uma homenagem às mulheres. Ora, as mulheres são mesmo a raiz desse planeta, quem duvida? E para comemorar 10 anos do escritório de três delas juntas, o que melhor a fazer? A Triplex Arquitetura criou um conceito para que casa ofereça às mulheres um local para refletir, se reconectar com a natureza e renovar suas forças. Cada detalhe foi pensado para que estar neste lugar seja o mais agradável possível, da música ao aroma, com prioridade para materiais sustentáveis. O clima é de uma “cabana contemporânea”, mas árida.

Um visual da suíte com seu ar confortável e étnico. Repare na beleza do teto. Clique para ver maior.

Adorei as tramas de corda e fibras naturais que leio no release serem da veterana Nani Chinelato – que veste de fibras lindas e étnicas muitas casas paulistas. No piso, madeira de carvalho europeu e portas pivotantes, além de tapete de fibra de juta, 100% biodegradável, reciclável e eco-friendly, da Galeria Hathi. Tecidos de alto padrão de qualidade e design com matérias-primas recicladas sustentáveis da EcoSimple são um convite aos olhos e ao relaxamento.

Na cozinha, todo o conforto de móveis planejados junto a ervas de cheiro e muitas plantas. Clique para ver maior.

Os espaços são todos integrados mas uma estante separa o living do dormitório, com algumas plantas selecionadas pelo paisagista Daniel Nunes. A casa foi presenteada com uma araucária já existente no espaço, que simboliza uma “antena” de boas energias e foi o ponto de partida do conceito do projeto. Assim sendo, só poderia ficar linda como ficou…

A chegada no “Refúgio Urbano” bolado por Marina Linhares, onde mais se vê mata que casa, o que já é um ótimo sinal… Clique para ver maior.

Marina Linhares assume que construiu um “espaço para o escapismo urbano“: agora me diga, e quem não quer escapar do caos que as cidades de hoje em dia nos forçam a conviver? Obviamente que quem vivesse no “Refúgio Urbano” bolado pela profissional dificilmente gostaria de sair de lá seja para o que quer que fosse… Trata-se de uma área privilegiada dentro Jockey onde se configura um bosque e Marina conseguiu trazer para dentro dos ambientes um pouco da natureza.

A beleza do estar com seus caixilhos de vidro que “trazem” a natureza para dentro… Clique para ver maior.

Além das paredes de vidro, que permitem que a luz e as cores em volta invadam o espaço, Marina incorporou ao projeto árvores tombadas pela prefeitura da cidade, dando origem a espaços muito charmosos e, ao mesmo tempo, fazendo com a que arquitetura obedeça às regras da natureza. Tudo isso desenvolvido tendo em mente um casal jovem, com hobbies, que gostam de receber e que, por terem viajado muito, conhecem diferentes jeitos de morar.

O outro estar do refúgio com um tapete lindíssimo da By Kamy. Clique para ver maior.

Foram montadas duas salas, sendo uma de jogos, que ficam aconchegantes junto a uma decoração contemporânea e das mais bonitas. Tudo foi muito bem pensado e é muito elegante como em todos os trabalhos de Marina e até eu me pergunto se gostaria de morar numa casa assim…

Um visual geral da “Casa da Árvore Renault“: repare como a garagem para o carro se articula bem com a residência. Clique para ver maior.

Direto ao ponto há a “Casa da Árvore Renault“: incorporando um exemplar de um grande flamboyant bem no espaço designado ao escritório da casa, tudo passou a girar em torno dessa decisão.

Estares super elegantes… Clique para ver maior.

Decidimos levar as referências da natureza para as áreas internas e por isso, usamos diversos tons terrosos nos revestimentos e nos móveis”, conta a arquiteta Daniela Frugiuele, que faz parte do trio composto ainda por Carolina Mauro e Felipe Troncon, da Suíte Arquitetos, responsável pelo projeto que inclui 300 metros quadrados de jardins tropicais frondosos e variados.

… articulados com a árvore que fica bem próxima à cozinha da casa. Clique para ver maior.

 

Uma das mais bonitas construções deste ano, a “Casa Terra” da carioca Paola Ribeiro, não me ganhou de pronto. Foi com relutância que fui vendo fotos e gostando aos poucos de cada pedacinho que via. O que me encantou primeiro foram os exteriores, claro. Inteligente, Paola fez um espaço com um pergolado, “meio dentro, meio fora” que recebe bem quem está fora e vai envolvendo e trazendo para dentro os convidados. Muito interessante a transição.

O super living aconchegante, revestido em madeira e com direito à árvore para dar o toque natural: é a “Casa Terra” de Paola Ribeiro. Clique para ver maior.

Lá dentro, uma interessante bancada de cozinha tipo cavalete arruma tudo e há espaços bem aconchegantes com grandes janelas para o exterior, emolduradas com estantes – ficou ótimo.

Bancadona de cozinha tipo cavalete ao lado da mala de refeições. Clique para ver maior.

É uma casa espaçosa, com 160 metros quadrados, inclui living, jantar, cozinha gourmet e terraço com jardim – que é onde tudo começa. É bastante prática e com diversos atrativos em seus ambientes totalmente integrados, o que foi o ponto de partida para a construção da casa que incorpora não apenas uma, mas duas grandes árvores em seus interiores.

O detalhe bonito da estante que rodeia o rasgo para ver lá fora…

Tem bastante luz natural e jardim integrado, mas eu não diria que há “abundância de luz natural” – ainda mais se você comparar com a vizinhança…  . O tal do anexo com espaço de convivência reúne toda a família é onde os visitantes são recebidos tem uma incrível vista do verde que conquista mesmo. O paisagismo é assinado por ninguém menos que Alex Hanazaki com suas criações de bom gosto incontestável. Ficou realmente charmosa, bonita e envolta em verde!

A super sacada de Paola foi criar esse anexo “dentro fora, fora dentro” com mesa de refeições, área de estar e integração à cozinha onde os convidados vão entrando e se “achegando”! Clique para ver maior.

 

Uma casa muito bonita recheada de ‘predicados’ é a “Casa do Escritor” de Joia Bérgamo. A arquiteta nunca deixa por menos e TUDO, absolutamente TUDO em seu espaço tem um quê de especial – não acredita? Então leia a descrição que a própria faz de seu espaço em seu blog (a leitura é interessante, leia sim!  ). Mas, para quem quer um pouco de crítica e um pouco de análise, aqui vai a minha, modestamente: a casa está bela, bem feita, é verdade, mas não dá para comparar com a ‘Glass House‘ de Philip Johnson, vamos ficar só na inspiração distante, ok? 

O living da “Casa do Escritor” de Joia Bergamo: repare na beleza da luminária de piso “Katana“. Clique para ver maior.

Depois há uma inconsistência: no release de Casa Cor© a informação é de que a casa tem 70 metros quadrados e Joia informa 100 metros quadrados – não sei em quem acreditar! ***1 Para que não vire uma estufa – casas de vidro são estufas, especialmente as construídas no hemisfério sul, lembrem-se…  – a profissional informa que há tanto o uso de vidros com fator de proteção solar de 63% de bloqueio de calor quanto perfeita circulação do ar. Eu acredito, é só que posso fazer! 

Mesa de refeições integrada à cozinha – com móveis Ornare – e o belíssimo pendente “Anwar” da Puntoluce.

Daí vamos aos predicados visíveis: A linda luminária de piso “Katana” no living, e o pendente “Anwar“, sobre a mesa de refeições, ambos da Puntoluce são uma beleza mesmo e me pegaram de jeito. Os revestimentos da Portinari, em especial o porcelanato “Grand Metal“, que segue o conceito do metal e do aço, uma das grandes tendências da temporada. As obras de arte, realmente, uma curadoria das melhores, que me cativou: tudo da Galeria Eduardo Fernandes, da série fotográfica sobre New York, assinada por Gian Chumer, às fotos de Gabriel Wickbold, bonitas e cativantes mesmo.

O quarto, também com linhas da Ornare: belo, mas talvez, um pouco cheio demais… Clique para ver maior.

#ConfessoQue achei que o painel retratando o escritor feito à mão por Camilo Rodrigues ficou meio perdido no meio disso tudo – eu, tiraria  . A absolutamente linda mesa do escritório só pode ser da Breton, mas não sei a quem dar o crédito do design pois não houve uma citação explícita de quem veio tanta formosura. Devo destacar também que me pareceram melhores – mais bonitos e mais bem resolvidos – os módulos da Ornare do quarto que de outras partes da casa – linha “Cristal Case“, closet no sistema “Wall System“, mais prateleiras iluminadas com perfil metalizado Selenium com painéis em couro Breeze e fundo em espelho “Cristale“.

A belíssima escrivaninha do dono da casa que deve ser da Breton – mas quem é o designer?

É enfim, uma casa muito bem montada, muito agradável, mas está looooonge de ser algo “sensacional” ou acima de qualquer outra. Está bem cuidada como sempre e tem lá suas qualidades, mas tem coisa demais e, a meu ver, poderia até estar um pouco mais vazia… 

E a gente dá uma paradinha por aqui, mas em seguida voltamos com mais casas da Casa Cor© São Paulo deste ano. Aguarde! 

Leia a parte II deste post.

***1 Update 1º/07: a assessoria de Joia Bérgamo me assegurou que a casa tem 100 metros quadrados.

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