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Casa Cor São Paulo 2018 – os espaços – parte I

A majestosa entrada da “Cisterna da Deca“, um dos espaços mais bonitos da Casa Cor® São Paulo deste ano.

Voltando a falar sobre a Casa Cor® São Paulo, hoje me dedico aos espaços. Tem muita coisa boa, tem muita coisa estranha, tem muito de tudo. Só falo do que me tocou positivamente, vocês sabem a regra do jogo.  Claro, pode ter um espaço que não está aqui, apesar de ser bom, por que não tem nada a mais a ser destacado.

Lindo visual da “Tartuferia“.

O que eu acho que mais chamou atenção este ano nesta parte foram espaços mais diferentes, mais livres, fora do esquema casa – ‘quarto disso’, ‘sala daquilo’, ‘cozinha daquilo outro’, etc. – por que as casas vieram com ideias completas de salas, quartos e cozinhas, etc. Daí tivemos um “Spa da Mata” lindo e totalmente desligado de qualquer tipo de casa – quem tiver um hotel, sítio ou refúgio pode fazer o seu, independente! Uma “galeria de cores” (“Loft Caleidoscoop Coral”  ) muito doida que também estava descolada de qualquer coisa, nada a ver com nenhuma casa – apesar de haver, sim, ambientes mais ou menos organizados dentro dela. E isso é bom para a mostra.

A entrada no Lounge de Edson Lorenzzo: um ‘despertar’ para os 81 espaços de Casa Cor® São Paulo 2018. Clique para ver maior.

Pela ordem de visita, primeiro falo do “Lounge de entrada” feito por Edson Lorenzzo, de que gostei muito. Acho que ficou muito agradável a sensação de “dentro fora e fora dentro” dada pela estrutura metálica com fechamento em vidro e pelas cortinas em linho. As cores são delicadas e vêm mais do exterior que do interior, absorvendo a luz do sol e a mata ao redor num verdadeiro movimento de “aproveitar” o que a natureza tem a nos oferecer que praticamente é o mote da mostra deste ano. “A ideia é que as pessoas sintam a natureza como elemento principal”, explica o arquiteto, que procurou trabalhar com os quatro elementos – terra, ar, fogo e água – além da vegetação no exterior e no interior.

O balcão abrigado pelo “Lounge de Entrada“. Clique para ver maior.

O balcão do espaço em material oxidado tem um bonito painel em metal com aspecto amassado na parte de trás e dá conta da circulação de pessoas com muito bom gosto. Há ainda duas lareiras e um lago com arraias que encantam a todos. Enfim, algo até simples, mas convidativo e bem bolado.

Outra vista do belo espaço de Edson Lorenzzo. Clique para ver maior.


O ‘spa‘ do “Spa da Mata” foi feito no belo e exótico granito ‘Black Taurus‘. Clique para ver maior.

Bom, já elogiei pois achei sensacional e tudo de bom o “Spa da Mata” de Andrea Teixeira e Fernanda Negrelli: é verdade que a dupla sempre faz coisas bem elegantes, mas desta vez a liberdade para criar um espaço no meio de nada mesmo, e desligado de uma residência, foi um verdadeiro trunfo. De forma similar às casas ao redor, utilizaram paredes e tetos de vidro para trazer a natureza para dentro, proporcionando um local reservado de descanso e relaxamento com muita luz natural. Cores neutras e um ótimo projeto de iluminação intimista dão aconchego ao ambiente, que é complementado por móveis de madeira e por uma lareira. Tudo foi pensado para o conforto e o bem estar de quem quer se desconectar da correria do dia a dia. E nada como deleitar-se nas confortáveis (e bonitas) chaises escolhidas para compor o lugar ou relaxar no conforto da banheira Philippe Stark da Vallvé.

O espaço da banheira com as cubas e o lindo jardim vertical. Clique para ver maior.

São 100 metros quadrados compostos por materiais naturais e um design exclusivo e muito harmonioso, onde as profissionais projetaram desde a alvenaria até o décor. No teto, domos de vidro fecham o espaço, posicionados de maneira estratégica logo acima do spa, do chuveiro e da banheira – áreas onde a iluminação natural é imprescindível – e criam um visual limpo e deslumbrante. A paleta de cores se baseia em tons mais escuros, tais como os cinzas, os marrons e o dourado, que em conjunto com pedras e madeiras, acentuam a essência natural, intimista e reconfortante do local. São poucos e confortáveis móveis, todas peças de design customizado, como duas chaises desenhadas pelo escritório e fixadas no teto, com base em madeira maciça. Além disso, duas estantes flutuantes de latão compõem a ambientação, exibindo o incrível paisagismo de Leda Jaffet.

As chaises desenhadas sob medida para o espaço que acolhem de forma bastante agradável aos usuários. Clique para ver maior.

A lareira tem base em madeira maciça e é toda feita em limestone Blue Marine‘, da Pólo Mármores, que torna o ambiente confortável tanto para o verão, como para o inverno. Da mesma empresa vêm os revestimentos da fachada – pedras da Castellato – assim como o piso e bancada da pia, também feitos no mesmo limestone da lareira. Na parede atrás da banheira, o granito exótico ‘Black Taurus‘, da Guidoni, faz um painel de uma beleza única. Já o chuveiro, ornamentado com uma parede de velas, transforma o ambiente junto a um jardim vertical instalado nas proximidades. Realmente um ambiente pensado ponto a ponto para extravasar toda a tensão de dias difíceis em meio a um bosque que é só conforto e bem estar.

O chuveiro do Spa com parede de velas ao fundo.


Discreta elegância no living do “Estúdio do Executivo” de Erica Salguero. Note a divisória de vidro transparente canelado com estrutura em alumínio preto que traz privacidade ao quarto. Clique para ver maior.

O “Estúdio do Executivo” de Erica Salguero está bem exatamente “no ponto” como eu diria!  Diria e digo, pois tem tudo para ser um espaço – até mais que um único, mas não chega a ser uma “casa” – confortável, belo, elegante, sóbrio e masculino, que abriga sem equívocos um executivo acostumado ao bem estar e ao bom gosto. São 40 metros quadrados divididos em três ambientes – cozinha, living e quarto – que mescla tons de branco, cinza e toques de verde musgo com peças assinadas por ícones do design mundial, como Antonio Citterio e Sergio Rodrigues. Eu, particularmente, adorei. 

Como ‘se combinam’ living e cozinha. Clique para ver maior.

No living encontra-se um sofá revestido em couro e assento em linho cinza. A poltrona de veludo verde escuro ‘Grand Repos‘ de Antonio Citterio para a Vitra, é um dos destaques do espaço que recebeu um buffet de madeira clara e fotos de Yuri Serodio e Gigi Monteiro, posicionadas próximas às mesas “Jardim“, do designer Jader Almeida, e mesas de mármore assinadas por Giacomo Tomazzi Studio.

Só um pedacinho do quarto, com iluminação intimista…

Para o quarto, idealizei uma atmosfera de descanso onde esse empresário pudesse permanecer após a chegada de uma grande viagem de negócios ou ler seus livros com tranquilidade”, conta a profissional. A poltrona ‘Beg‘, assinada por Sergio Rodrigues, une em um único ambiente, o contexto dos móveis dos anos 70, junto ao luxo do estilo industrial das paredes de cimento queimado cinza com toque aveludado. Criado mudo e cabeceira de linho dão o toque final de um ambiente masculino.

A bela cozinha funcional com a mesa de trabalho e refeições. Clique para ver maior.

Na cozinha, uma bancada em Silestone branco e armários em tons de verde musgo dão o tom. A mesa foi escolhida por sua simetria arredondada e recebeu as confortáveis cadeiras de madeira com tecido acinzentado. As contemporâneas peças são utilizadas para receber os amigos para um jantar ou para fazer home office, conforme a agenda do profissional. Carvalho americano reveste todo o piso do estúdio dando aconchego. O charme do ambiente está no contraste das paredes opostas: enquanto uma parede foi construída com ripas de MDF preto a outra, localizada no ângulo oposto, agrega ainda mais classe com a utilização de mármore branco Paraná Novolatto envolvendo toda a área do living e cozinha. “O mármore é a expressão máxima de elegância e sofisticação, e tornou-se o ponto alto do Estúdio do Executivo”, completa Érica Salguero. Realmente um destaque! 


Muito bom gosto, funcionalidade e integração à natureza: a dupla de MF + Arquitetos acertaram em cheio na “Tartuferia“. Clique para ver maior.

Uma elegantíssima “Tartuferia“! Em resumo, é o que se pode dizer sobre o projeto de MF + Arquitetos – leia-se Mariana e Filipe Oliveira. Mas o que é uma tartuferia?  Bom, para começar, o gênero do restaurante nem é muito conhecido aqui no Brasil, e cabe explicar: trata-se de uma local onde se saboreiam trufas, sim, um tipo de “fungo” (ou cogumelo) encontradas no subsolo raso por cães farejadores, mais comuns na Europa, onde são raras e saboreadas com vinhos especiais. Mais comuns na França, Alemanha, Inglaterra e Itália, todo o cerimonial é especial, da “caça às trufas” ao consumo, como vocês podem ver. Em São Paulo existe agora a “Tartuferia Sanpaolo“, e foi para abrigar uma filial da casa que os arquitetos elaboraram o espaço que está uma verdadeira joia.

Materiais nobres, marcenaria de primeira e iluminação sob medida são alguns dos predicados do espaço.

Pela primeira vez em Casa Cor®, a dupla se destacou pela beleza das soluções encontradas, todas nobres: revestimentos em madeira de primeira qualidade e mármores idem. Pureza formal do projeto com linhas retas e poucos volumes, planos que alongam e ao mesmo tempo unem os ambientes. Marcenaria bem projetada que compõe todo o uso do restaurante, assim como parte da decoração, pensada em detalhes dos materiais ao mobiliário. Um espaço acolhedor, neutro e único, onde qualquer um se sente especial.

Elegância nos materiais, mobiliários e todos os itens envolvidos.

Segundo Filipe Oliveira, “o uso do verde no espaço é algo que utilizamos sempre, para dar vida ao ambiente, é necessário. Partindo desse princípio, projetamos o restaurante integrando o interior com o exterior, através de grandes aberturas, facilitando o uso da iluminação e ventilação natural“. E, de fato, há muitas aberturas e luz natural, e os pontos de integração com o “lá fora” são extremamente agradáveis. Em sintonia com o tema “A Casa Viva“, o pequeno restaurante é um local acolhedor, familiar e aconchegante, que integra o percurso de circulação da mostra. Trata-se de um espaço público que não abre mão da atmosfera e aroma caseiros.

Soluções inteligentes e sustentáveis, folhagens intensas com espécies exóticas e da flora brasileira, compõem o ‘Jardim da Tartuferia‘. Clique para ver maior.

Nota Importante: apesar de aparecer como um jardim à parte, o “Jardim da Tartuferia” é uma das paisagens da mesma, e o paisagismo de lá foi tão bem cuidado tanto pela dupla que criou o espaço principal quanto pela paisagista Bia Abreu, que merece ser destacado como parte do feito: belo espaço, complementado perfeitamente por seu belo jardim.


O lounge externo do “Templo Coworking“, o que mais chama a atenção, com sua mesa coletiva de 8 metros de comprimento com recortes para receber vasos de plantas. Clique para ver maior.

Achei o chamado “Templo Coworking” um dos espaços mais excêntricos desta mostra. ‘Excêntrico’ pois parece mesmo um “peixe fora d´água” numa mostra como Casa Cor®, voltada para ambientes residenciais, um espaço comercial de primeira linha. A assinatura de Fernando Brandão e Camila Bevilacqua não deixa dúvidas de que este é mesmo um ambiente voltado ao trabalho, mas eles trabalharam com descontração e o resultado procede e ilumina o lugar onde foi colocado: no meio da mostra e com uma cor que chama muito atenção. Muito legal, original e acabou interessante: claro, como espaço para visitação é da melhor qualidade: são 160 metros quadrados para receber os visitantes e funciona como ponto de encontro do evento, oferecendo estrutura para reuniões, encontros e wi-fi gratuito – olha a importância para os jornalistas e blogueiros aí! (além de todo mundo…) Dividido em três ambientes, é composto por um living com oito estações de trabalho, uma sala coletiva com uma grande mesa e um lounge integrado com a área externa.

Na sala de estar, mais intimista, com sofás, para conversas mais longas. Clique para ver maior.

Os tons que predominam são os terracota que trazem energia, afetuosidade e conforto: esses tons aparecem no mobiliário, nas luminárias e principalmente nas paredes, revestidas com a cor “Mamão Moderno”  . Na sala de estar há oito estações de trabalho “Jag” da Alberflex – design italiano de Dorigo Fiorenzo – com diversos acessórios, como luminárias, mesas, pufes, e painéis divisórios em lã na cor cinza e assentos laranja. No segundo ambiente uma sala coletiva com uma mesa de 8 metros de comprimento, abriga 10 cadeiras “Pipe” com base giratória na cor preta, braços de madeira tauari e assento levemente texturizado na cor laranja. A mesa com tampo de madeira e recortes para receber vasos, também é assinada pelo italiano Dorigo Fiorenzo e transita do aço para a madeira com linhas sóbrias, com design despojado que parte das formas retas para as formas orgânicas. Neste ambiente, um dos destaques é uma parede de “push pins“, onde as pessoas poderão deixar cartões e mensagens.

O terceiro ambiente, com banquetas altas e duas estações de trabalho. Clique para ver maior.

O terceiro ambiente é um lounge semi externo composto por outra estação de trabalho da Alberflex, com duas bancadas altas e duas banquetas “Pipe” também na cor laranja. Dois postos de trabalho com armários e bancos e duas mesas de reunião com sofá. Neste ambiente um dos destaques são as obras do artista plástico Carlos Matuck. Para o piso do espaço, a dupla utilizou um piso vinílico com nuances de cinza escuro e cinza claro e carpetes nas laterais. Achei foi uma boa oportunidade para trazer ao público como se pode fazer um belo escritório – bem atualizado.


Um agradável “Bar Lounge” para saborear bebidas e comidinhas em boa companhia. Clique para ver maior.

Inspiradas no ballet – segundo o release “dança influente a nível mundial muito difícil de dominar e que requer muita prática, já que prima pelos mínimos detalhes” – Cyane Zoboli e Ana Elisa Hott da CZHOTT Arquitetura criaram o “Bar Lounge“, um descontraído bar de drinks e finger foods, com o mesmo clima animado e badalado do “Iulia“, de Chico Lima, antigo sócio do “Leopolldo“, todos muito conhecidos em São Paulo. Trata-se de um belo espaço com 220 metros quadrados divididos entre bar, uma área interna, uma varanda externa e banheiro. O bar é pautado inteiramente no rosa, uma cor agradável aos olhos e de fácil compreensão de toda a concepção do projeto. Outro ponto de partida foram os lounges, que possuem móveis mais baixos na entrada e fazem com que o ambiente seja um local para permanecer, descansar, tomar um drink ou comer alguma coisa durante a visita à mostra. Durante os dias do evento, está havendo, além da transmissão dos jogos da Copa do Mundo, a das tradicionais corridas de cavalo. A ideia é a de conforto em todos os sentidos.

O painel da área interna, inspirado nas sapatilhas de ponta das bailarinas. Clique para ver maior.

Na área interna há o grande destaque: um painel de marcenaria rosê, desenhado exclusivamente para a mostra que explora volumes e geometrias com o auxílio da iluminação. A marcenaria detalhada é uma das características do escritório CZHOTT e um diferencial. “Fizemos o uso da madeira em diversos locais, de forma natural e com diferentes aplicações. Todo o painel em MDF é da Duratex, na cor Rosa Glamour um lançamento da parceira da Casa Cor®”, revelam as profissionais.

Até o banheiro – muito bem composto – tem piso em porcelanato cor de rosa!

Uma arte em corda natural feita por Wilson Ferreira, da Galeria ArtCausa, compõe o espaço e representa o movimento da dança. Além desta, outras obras de arte foram desenvolvidas exclusivamente para o local, todas baseadas na dança que se originou nas cortes da Itália renascentista durante o século XV. O banheiro também chama a atenção pelo delicado equilíbrio e beleza do local. Um bar para ser desfrutado de verdade!


A chegada triunfal ao hall de entrada da “Cisterna da Deca” – veja a cachoeira que fica atrás de quem entra. Clique para ver maior.

Esse é um espaço que eu realmente gostaria de ver ao vivo – será que ainda vou à São Paulo dar uma olhadinha?  O nome já diz tudo: “Cisterna da Deca“! Pelo que conheço do Jockey de São Paulo, é justamente o prédio principal, neoclássico e lindíssimo, bem apropriado para o tema, e pelas fotos que vi, Oswaldo Tenório teve extremo bom gosto ao criar o que seria algo a ficar escondido – mas a beleza das águas, valorizadas por revestimentos que só aquele prédio possui, foi uma grande sacada do principal patrocinador – e vamos variar um pouco de banheiros e banheiras, não é? Pois bem, a água é o mais importante nesse espaço que buscou referência em cisternas históricas para fazer uma analogia com o cuidado que a empresa tem com o uso racional do recurso não renovável e de vital importância para a vida neste planeta.

A bela ‘Sala de Banho‘ do casal que fica ao final do percurso. Clique para ver maior.

Tenório e seu staff criaram uma espécie de templo de apreciação da água, com quase 80 mil litros do preciso líquido. No hall de entrada, com mobiliário desenhado pelo profissional, uma cascata por onde a água corre pela escada de granito bruto e chega até ao espelho d’água. Este espaço funciona como uma espécie de varanda de contemplação por onde as pessoas são direcionadas a seguir por rampas metálicas, que oferecem uma visão completa do ambiente, entreabertos em meio às colunas e ao barulho da água, e proporcionam este momento de reflexão. Ao final do percurso, uma sala de banho pensada para um casal. Deve ser monumental e divino e eu aposto com vocês que também inesquecível!

Um outro ponto de vista da mesma ‘Sala de Banho‘, com chaise e banheira redonda ao fundo.

Continua…

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