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Casa Cor São Paulo 2018 – os espaços – parte II

A maravilhosa ‘Sala de Jantar‘ de Naomi Abe: um dos pontos altos da mostra neste ano.

Hoje, volto a falar sobre os espaços da Casa Cor® São Paulo que mais me chamaram a atenção, terminando a verdadeira maratona (ufa, por aqui também foi! ) de nada menos que quatro posts sobre a mostra. Nesta parte final vamos ver mais alguns ambientes que foram bem marcantes na mostra de 2018, viu? 

Tradicional e bem ‘chic‘, a “Sala Biblioteca” de Rosa May Sampaio. Clique para ver maior.

Continuando pela ordem de visita, damos de cara com um dos espaços mais sofisticados da mostra – só poderia sair das mãos de Rosa May Sampaio: a ‘Sala Biblioteca‘ tem aquele quê de elegância própria que nem sempre a gente encontra em todas as mostras. São apenas 50 metros quadrados que combinam móveis de Tenreiro com o lustre italiano “Sputnik“, da década de 70, em bronze escurecido, e também linho cru e boa madeira. Há espaço para o eclético e para o elegante, para ser contemporâneo e tradicional sem ser chato.

Detalhe do interior do escritório da biblioteca. Clique para ver maior.

Arte de Cícero Dias, muranos de boa cepa, abajoures com luz bem coada. Isso, só por quem já participou de muita coisa, inclusive da primeira mostra Casa Cor em São Paulo mesmo: uma veterana super atual, com um toque de sabedoria que só quem sabe tem.


Um visual geral do ‘Estudio 04‘ de Clarisse Reade, Carolina Reade e Adriana Pereira. Clique para ver maior.

Depois, o “Estúdio 04” de Clarisse Reade, Carolina Reade e Adriana Pereira é um pequeno grande achado de Casa Cor® São Paulo 2018. Em 40 metros quadrados um jovem com cerca de 30 anos expõe sua bagagem cultural de forma elegante e discreta rodeado por um tom de verde realmente dos mais belos. As designers de interiores reuniram em uma sala os principais interesses deste personagem, que tem no cômodo um refúgio de sua rotina corrida, com arte e a literatura em primeiro lugar. Lá e possível se encontrar um mix de referências bem calculado, de mobiliário contemporâneo com peças garimpadas em bons antiquários. Peças com linhas retas e minimalistas da Interni convivem tranquilamente com cadeiras francesas da década de 1960 de Juliana Benfatti. Um banco de madeira francês do século XIX de Arnaldo Danemberg está próximo de uma dupla de cadeiras Butterfly. Tudo absolutamente em consonância com o gosto elaborado deste jovem rapaz que tem em sua estante livros de arte, arquitetura, moda e estilo.

O sofisticado estúdio visto do outro lado. Clique para ver maior.

No piso a escolha foi por um porcelanato em tom de cimento queimado e na iluminação do teto, as eletrocalhas aparentes, chamando o estilo industrial à gama de referências do espaço. Um belo sofá chesterfield revestido em linho, localizado em uma área da sala para receber amigos vai muito bem com as obras de arte da Galeria Eduardo Fernandes, que tem artistas tais como Vicente de Mello, Ana Amelia Genioli e Daisy Xavier. A funcionalidade desta área também tem vez já que é o local ideal para ser usado como um canto de leitura ou para uma rápida refeição.

Note a iluminação intimista, as estantes cheias de livros e o canto de refeições. Clique para ver maior.


A chegada no loft de Nildo José: um luxo! Clique para ver maior.

E ele acertou de novo: em sua segunda participação em Casa Cor® São Paulo, Nildo José de novo aposta no simples e no belo, no compacto e na claro, e acerta novamente. Seu ‘Loft Ninho‘ é a tradução do que muitos jovens desejam para si mesmos – e muita gente mais velha também… é conforto, colo e carinho, é a sensação de ter… um ninho. Seja sozinho, seja com alguém, é a tradução do bem estar, do belo e da sua casa. Não é pequeno – 80 metros quadrados é muito maior que muitos apartamentos de dois quartos – com cozinha, estar, quarto, banheiro e jantar com “conceito que transmite a alma e a história do morador” – e isso é bem difícil.

O “charme da caixa” repetido e estendido: agora ela também engloba o quarto, além do banheiro. Clique para ver maior.

São três áreas com funções distintas: cozinha, social e íntima. Um ponto em comum é o revestimento feito em Carvalho Europeu no piso, parede e forro, que envolve a todos e reforça a sensação de acolhimento. Além disso, eles possuem também a mesma linguagem arquitetônica, seguindo uma releitura da construção original do Jockey Club, reforçando assim a intenção projetual de integração e unidade. Essa paleta de cores claras e tons neutros somados ao verde, tirando partido do tom e do design lindíssimo das esquadrias, além dos elementos arquitetônicos do Jockey, ficou uma maravilha.

A enorme e bela cozinha com armários planejados e uma mesa de tirar o fôlego! Clique para ver maior.

A cozinha foi subdivida em três ações: fazer, comer/beber e ler, emprega uma tendência contemporânea da ‘cozinha de estar’. A ação do fazer acontece em uma bancada única de cinco metros de comprimento em superfície mineral, acompanhada por armários e acessórios planejados onde se organizam todas as atividades do cozinhar. Nos armários há um acabamento diferenciado: uma superfície metalizada de alta tecnologia alemã, um polímero feito de partículas de cobre vaporizadas a vácuo sobre a superfície do material, resultando em um revestimento resistente à corrosão e ao impacto, e que confere um toque a mais de sofisticação ao espaço.

O charme da mesa de refeições que também é um elegante bar.

Já o “comer/beber” acontece em uma mesa orgânica de resina branca, desenhada especialmente para o projeto, onde de um lado fica a sala de jantar e de outro um bar. O ponto de destaque são as cadeiras “Almeida”, também desenho exclusivo para Casa Cor® por Etel Carmona e pelo arquiteto, que batizaram a peça com um sobrenome que possuem em comum. Por fim, a parte de leitura foi incorporada com as esquadrias originais onde encontra-se um pórtico de mármore brasileiro vindo do Espírito Santo, que se encaixa na biblioteca.

Pé direito alto, fartura de luz natural e muita descontração: o loft de Nildo José agrada em cheio novamente. Clique para ver maior.

No setor social o living também tem suas subdivisões interligadas: colecionar, reunir e interagir. O sofá da Saccaro, as poltronas “Alta“, de Oscar Niemeyer da Etel, a luminária “Potence” de Jean Prouvé, Poltronas ‘Scapinellis‘, mesas de apoio Ronan & Erwan Bouroullec para Vitra e poltrona ‘Febo‘ pela B&B Italia, reforçam a intenção em formar um décor cosmopolita, com peças de diferentes origens e momentos. Sobre a seleção de obras de arte, marcam presença nomes como Tunga, Los Carpinteiros, Leonora Barros, Flavio Cerqueira, Thiago Rocha Pitta, Gal Oppido, Ildeu Lazarini e Mario Cravo Neto.

O pequeno e elegante banheiro dentro da caixa.

A área íntima fica defronte ao living e dentro de uma grande caixa mezanino, revestida pela Cerâmica Atlas, também subdividida em três ações: dormir, banhar e meditar, composta por quarto, banheiro e o terraço jardim (umas das diretrizes do modernismo), com paisagismo de Bia Abreu. Este espaço foi pensado para priorizar a meditação e desconexão do morador com o mundo exterior, tendo como anseio estimular as relações humanas por meio de ambientes que contribuem para o bem estar, priorizando as pessoas, suas experiências, ações e emoções, a fim de criar atmosferas acolhedoras onde tudo acontece. Espaços capazes de criar e despertar memórias, que abraçam a alma, e que completem seus moradores, transformando-se em verdadeiros ninhos de acolhimento. Para completar, ainda tem a natureza que entra de uma forma exuberante pelas janelas: um verdadeiro luxo de loft


A chegada à brasileiríssima ‘Sala de Jantar‘ de Naomi Abe: deslumbrante! Clique para ver maior.

Outro ambiente que certamente me faria ir à São Paulo para vê-lo de pertinho, a “Sala de Jantar” de Naomi Abe está des-lum-bran-te!  Após quinze anos sem participar de Casa Cor®, parece que Naomi voltou com todo o fôlego e arrasou: a sala é brasilidade pura e sem nada de ostentação. Foi tudo feito com muito carinho e atenção ao que temos de melhor em termos de materiais, móveis e arte. Para começar, um piso maravilhoso de ladrilho hidráulico desenhado sob medida em tons de verde e branco por Naomi, inspira-se na obra de ninguém menos que Tarsila do Amaral – exclusivo e lindo!. As paredes que chamaram muito a atenção foram revestidas com um cobogó branco esmaltado simples, mas a grande jogada foi aplicar espelhos atrás dos mesmos, o que ‘fecha’ a sala sem fechar, permanecendo a sensação de luminosidade adequada a cada horário sem exageros e sem que algo estranho esteja no espaço – jogada e toque de mestre. 

Destaque para os cobogós e o piso que fizeram toda a diferença no espaço. Clique para ver maior.

Nos móveis, só coisa da melhor qualidade: peças modernistas de Jorge Zalszupin, Geraldo de Barros e Joaquim Terneiro junto a outras mais contemporâneas como a mesa ‘Rino‘ e o buffet ‘Isay‘, ambos desenvolvidos por Etel Interiores. Deste modo, as madeiras se misturam com outros materiais, como linho, tornando o ambiente elegante e acolhedor de forma natural. Nas passagens, foram criados pórticos de madeira Pau Ferro e o rejunte dos azulejos instalados atrás do aparador receberam acabamento em fita de ouro, feito em parceria com o artista plástico João Migotto – claro, a profissional não descuida dos detalhes! Para finalizar, os objetos de decoração são da artista plástica e ceramista Claudia Issa. Sem esquecer das obras de arte de artistas como Di Cavalcanti e Genaro de Carvalho. Um verdadeiro primor de composição que valoriza o que é do Brasil em cada detalhe, sem nenhum deslize ou mau gosto: “o ambiente é inspirado naquilo que já ví de belo dos designers e artistas brasileiros”, explica Naomi.

Toques de charme e de bom gosto por todos os lados.


Uma geral da suíte de Marlon Gama. Clique para ver maior.

Assinada por Marlon Gama, a “Suíte do Casal” tem muito da opulência de anos idos da Casa Cor® São Paulo. Eu a escolhi como destaque pois ela ainda representa grande parcela dos desejos de muitos que curtem um décor mais “carregado” nas cores e nos materiais, que se mostre, que se exiba. E o profissional soube fazer esta faceta do design de interiores muito bem se no entanto desequilibrar para o definitivamente exagerado. São 55 metros quadrados com três ambientes: estar, descanso e closet (que também são “anglicanizados” ao longo dos releases e matérias para ‘openning‘, quarto ‘and walking closet‘). Os clientes são caracterizados como “um casal com diferentes personalidades, práticos, dinâmicos e muito modernos“.

Detalhe da entrada do closet com a estante “Icon” dividindo os espaços. Clique para ver maior.

Todas as madeiras são certificadas e foram cuidadosamente escolhidas no tom mais claro possível, trazendo leveza e modernidade, contrastando com as paredes em tom cinza chumbo que denota sobriedade. Essa mistura de estilos está presente também nos móveis como cama e as chaises revestidas em couro, as cômodas francesas de estilo, a transparência entre o closet e o quarto que para tanto foi escolhida a estante “Icon“, assinada por Jader Almeida, que é vazada e resulta imponente em toda a extensão do ambiente.

Um belo detalhe do estar da suíte.

Mudanças como desníveis no forro demarcam os diferentes ambientes e dão movimento ao espaço. O revestimento em ‘chevron‘ de carvalho natural do piso também foi aplicado em algumas áreas das paredes, numa paginação típica francesa de forma elegante. Para dar amplitude, alguns espelhos também foram aplicados em pontos específicos das paredes e toda a iluminação é automatizada, pontual e de ótimo efeito final. O tom geral é de glamour com tecidos de tons escuros combinados a móveis de estilo ou de design. Há equilíbrio e bom gosto na montagem do espaço.


O lindo ‘Quarto do Bebê‘ com berço farto, sofá cama, árvore lúdica e os tsurus pendendo do teto. Clique para ver maior.

Um dos ambientes mais bonitos e comentados da mostra, o “Quarto do bebê” da MN Arquitetura – a dupla de arquitetas Mayara Clá e Natasha Haddad – se destaca por vários aspectos. Dentre eles por ser ‘genderless‘, que se você ainda não sabe é aquela coisa que é feita para qualquer gênero, ou seja, atende a meninos e meninas. Um privilégio para mamães que não desejam saber o sexo da criança logo de cara, mas que precisam arrumar seu quartinho. Em sintonia com o tema deste ano em Casa Cor, a “Casa Viva“, as arquitetas foram muito felizes em sua interpretação do que seria “uma casa (ou ambiente) integrado com a natureza“: ao invés de uma verdadeira “selva” dentro do quartinho delicado, buscaram referências divertidas sobre o assunto e o fizeram muito bem. Como diz Natasha, “a vida moderna privilegia muito a tecnologia, por isso buscamos trazer elementos lúdicos e que estimulam o contato manual e a imaginação, como a horta feita com itens de feltro e a árvore desidratada”. A área de apenas 25 metros quadrados reserva bastante espaço livre para as brincadeiras das crianças.

 

O cantinho do trocador com o lindíssimo revestimento de passarinhos. Clique para ver maior.

A partir desta expectativa, as profissionais apostaram em uma horta com cenourinhas, tomates e abóboras confeccionadas em feltro, além de animais representados por pufes, uma rede para as futuras brincadeiras da criança e até uma árvore desidratada da Svetlana Plantas. Há também tsurus de origami decorando o quarto, uma iluminação suave e bastante aconchegante e muito conforto para todos, já que os pais também passam boa parte do tempo no quarto, seja para amamentar ou ninar, como avaliaram as profissionais. Por isso, pensaram também em um lugar acolhedor para todos, e que desperte a curiosidade para ambientes com um toque de natureza. Eu achei tudo muito prático e bonito e, além de não ser tendencioso a meninos ou menina – o que pra mim é sinônimo de liberdade e flexibilidade – também tem espaço para que haja circulação, brincadeiras e até um móvel a mais quando o bebê chegar, se preciso for.

A árvore com as maçãs e a rede: ousar com o lúdico no quarto de bebê é o mais indicado.

E assim terminamos a apresentação dos espaços que mais curtimos este ano na Casa Cor® São Paulo. Confiram todos os posts, ok? Vejam:
Casas – parte I
Casas – parte II
Espaços – parte I
Espaços – parte II é este daqui mesmo. 

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